São Paulo - O Exército dos Estados Unidos descartou pagar uma indenização ''significativa'' à fabricante brasileira de aviões Embraer devido à decisão de cancelar um contrato de construção de aeronaves de defesa, cujo valor inicial alcançava US$ 879 milhões. Caso todo o contrato fosse cumprido, com a entrega de 38 aviões ao Exército e outros 19 à Marinha, esse valor poderia chegar a US$ 8 bilhões.
A líder do consórcio que construiria os aviões, a fabricante americana de armamentos Lockheed Martin, no entanto, vai receber ''dezenas de milhões de dólares'' devido ao fim do projeto conhecido como ACS (Aerial Common Sensor). O chefe do programa de equipamentos eletrônicos e sensores do Exército, Edward Bair, afirmou que a indenização será paga porque a Lockheed não teve culpa pela rescisão.
Para o cumprimento do contrato, a Embraer chegou a planejar e até mesmo lançar a pedra fundamental da construção de uma fábrica em Jacksonville, na Flórida. A cerimônia de lançamento, em 2004, teve inclusive a participação do governador Jeb Bush, irmão do presidente George W. Bush.
A assessoria de imprensa da Embraer informou, no entanto, que a fábrica não chegou a sair do papel devido à contínua incerteza do Exército sobre a viabilidade do projeto.
No último mês de setembro, o Exército avaliou que o avião que serviria de plataforma para o projeto, o ERJ-145 da Embraer, seria muito pequeno para carregar todo o equipamento que deveria ser utilizado. A Embraer chegou a oferecer outras aeronaves maiores como suporte, que também foram rejeitadas.
Procurada, a assessoria de imprensa da Embraer não comentou as declarações do Exército dos EUA e também não revelou quanto dinheiro foi gasto no projeto.

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