Brasília - A embaixadora dos Estados Unidos, Liliana Ayalde, sinalizou ontem que a crise diplomática entre seu país e o Brasil é delicada, mas pregou diálogo para o impasse.
Ela entregou à presidente Dilma Rousseff na manhã de ontem no Palácio do Planalto suas cartas credenciais - um ato em que novos embaixadores no país são formalizados no cargo, com o consentimento presidencial. Ayalde está no Brasil nas funções de embaixadora norte-americana desde setembro passado, quando sucedeu Thomas Shannon na função.
Após uma cerimônia rápida no Planalto, Ayalde disse que pretende viajar o País para ouvir demandas e conhecer melhor algumas capitais. Questionada se a situação entre os dois países é delicada, respondeu: "É, mas eu acho que tem que conversar. Vamos continuar dialogando para avançar, nós temos muitos outros temas para conversar", disse.
A Folha de S.Paulo mostrou ontem que a reclamação direta da chanceler alemã, Angela Merkel, contra o grampeamento de seu próprio celular mudou a retórica do governo americano - e a baixa prioridade que o escândalo da espionagem recebia da Casa Branca.
O tratamento dado a Merkel difere daquele dado a Dilma quando estourou o escândalo de espionagem, em julho. Nem os protestos da França e do México tiveram o impacto da reclamação alemã.
Por meses, diversos diplomatas americanos, em conversas reservadas com a Folha, atribuíam a reação de Dilma ao "cálculo eleitoral" pela campanha da reeleição em 2014 e ao "antiamericanismo" de setores do PT - acusações que não funcionam com a conservadora Merkel, recém-reeleita.

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