Os Estados Unidos retomaram ontem em Santiago a defesa da tese segundo a qual os países em desenvolvimento devem asssumir desde já compromissos de redução das emissões dos gases do efeito estufa. No primeiro dia de sua visita oficial ao Chile, que precede a segunda cúpula de líderes das Américas, o presidente Bill Clinton e seu colega chileno, Eduardo Frei, ‘‘concordaram em que os países em desenvolvimento devem participar dos esforços para tratar a mudança climática, assumindo metas (de redução) de emissões sempre que possível’’ - conforme declaração conjunta divulgada. Paralelamente, os dois presidentes citaram os efeitos do El Ni¤o em seus países para anunciar a criação de um Sistema Pan-americano de Informação Climática com o objetivo de melhor preparar as nações dos hemisférios para desastres naturais.
Em dezembro passado, Washington tentou convencer as nações em desenvolvimento a aceitar parte da responsabilidade pelo efeito estufa e concordar com metas de redução das emissões dos gases poluentes e um sistema de comércio de emissões na conferências dos signatários da Convenção das Nações Unidas sobre Mudança Climática, em Kyoto, Japan. Dois meses antes, durante sua primeira visita a América do Sul, Clinton obtivera o apoio da Argentina para a posição americana. A firme oposição do Brasil, da China e da Índia à tese americana levou Washington a mudar sua posição para evitar o fracasso da reunião. O Protocolo de Kyoto reafirmou a tese central da Convenção, segundo a qual a responsabilidade pelo efeito estufa é dos países industrializados, e fixou um cronograma de redução de emissões de 6% a 8% abaixo dos níveis de 1990 para essas nações a partir do ano 2008.
Ontem, Clinton e Frei expressaram seu apoio aos objetivos do Protocolo de Kyoto e concordaram que os países industrializados devem reduzir os gases do efeito estufa ‘‘como uma questão de prioridade’’ e enfatizaram ‘‘os mecanismos de mercado’’ na promoção da produção eficiente de energia limpa e de outras atividades que reduzem as emissões do efeito estufa. Eles também afirmaram que seus governos ‘‘estão comprometidos a trabalhar juntos na próxima conferência das partes do tratado sobre clima, em novembro, em Buenos Aires’’.
A declaração indica uma clara disposição de Washington de elevar o perfil da reunião na capital da Argentina, que não tem nenhum mandato especial da Convenção sobre Mudança Climática, e de continuar a buscar apoio no hemisfério para sua posição, isolando o Brasil e realçando as diferenças sobre o tema entre os países do Cone Sul. A demora do governo brasileiro em agir nos recentes incêndios na Amazônia (que aumentaram a participação do País nas emissões de carbono), a participação de bombeiros argentinos no ataque ao fogo e a administração política falha do Planalto no episódio tornam significativa a retomada do tema da mudança climática por Clinton em sua visita oficial ao Chile.

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