EUA dão só duas semanas para Israel
A Casa Branca reafirma seu empenho em trazer israelenses e palestinos de volta à mesa das negociações emperradas há 15 meses
Paulo Sotero

France Presse
IntransigênciaNetanyahu tem quinze dias para aliviar pressão sobre seu gabinete A recusa do governo de Israel a voltar à mesa de negociação e retomar o processo de paz com os palestinos, nos termos estabelecidos pelos Acordos de Oslo e reafirmados pelos Estados Unidos, levou a administração norte-americana a estender por 15 dias o prazo para o reinício das conversações, que deveria ter ocorrido ontem, em Washington. Diante da resistência determinada do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, a atender a condição mínima dos EUA e concordar em transferir o controle de mais 13% dos territórios ocupados da Cisjordânia à Autoridade Palestina, não está claro como duas semanas mais para consultas e negociações de bastidores resolverão o impasse.
O que é certo é que Bibi Netanyahu usará parte desse tempo para tentar aliviar a crescente pressão de Washington sobre seu governo. Nesta quinta-feira, o primeiro-ministro estará em Washington para repetir a líderes do Congresso e das organizações judaicas americanas que a transferência à AP de mais do que 9% adicionais dos territórios ocupados na guerra de 1967 põe em risco a segurança de Israel.
O principal evento de sua visita será a reunião anual do Comitê Americano-Israelense de Negócios Públicos (AIPAC), o poderoso lobby pró-Israel em Washington, na qual Bibi encontrará uma platéia simpática a seus argumentos e indignada com a postura da administração Clinton.
É improvável, no entanto, que os EUA atenuarão sua posição. A Casa Branca reafirmou ontem seu empenho em trazer israelenses e palestinos de volta à mesa de negociações, nos termos já conhecidos, depois que o mediador norte-americano, Dennis Ross, relatou ao presidente Bill Clinton e à secretária de Estado, Madeleine Albright, as três conversas que teve com o chefe do governo israelense no fim da semana.
Há duas fortes razões por trás da posição de Washington. O esforço norte-americano para reavivar o processo de paz no Oriente Médio, empacado há 15 meses, tem por objetivo não apenas salvar a mais importante iniciativa diplomática do governo Clinton. Ela visa, também, reconquistar o apoio dos países árabes para fazer face a eventuais novas ameaças aos interesses dos EUA no Golfo Pérsico.
A outra razão pela qual Clinton deverá manter a pressão sobre Bibi está nas pesquisas de opinião. Os líderes de várias organizações judaicas dos EUA declaram-se revoltados contra a mão pesada com que Washington vem tratando seu grande aliado no Oriente Médio. Mas, apesar da influência que continua a ter no Capitólio, o fato é que o lobby judaico já não fala necessariamente em nome dos cerca de 5 milhões de judeus americanos. De acordo com o ‘‘New York Times’’, uma sondagem do Foro Político Israelense, que reúne organizações judaicas dos EUA empenhadas na retomada do processo de paz, constatou que 80% dos judeus americanos ouvidos estão a favor ‘‘dos atuais esforços da administração Clinton para reavivar as conversações entre israelenses e palestinos’’.

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