EUA criticam política do Brasil no combate ao terror
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sexta-feira, 28 de abril de 2006
Folhapress 
São Paulo - O Departamento de Estado americano fez críticas à política de combate ao terrorismo adotada pelo governo brasileiro em um relatório anual sobre o terror no mundo divulgado ontem. Segundo o documento, o Brasil não ofereceu o apoio político e material necessário para fortalecer as instituições antiterroristas.
O relatório afirma que o Brasil preferiu não estabelecer um regime de designação de organizações terroristas similar à lista negra criada por Washington.
O documento referente às atividades de combate ao terror no ano de 2005 dá destaque ao problema do controle da Tríplice Fronteira (entre Brasil, Argentina e Paraguai), que foi apontada como cenário de arrecadação de fundos por parte do Hezbollah (grupo extremista islâmico libanês que recebe apoio sírio e iraniano) e do Hamas (grupo extremista islâmico).
A fonte de recursos para estas organizações consideradas terroristas pelo governo dos EUA seria, segundo o Departamento de Estado, a numerosa população muçulmana que vive na área da fronteira dos três países sul-americanos.
O Hezbollah é considerado um grupo terrorista pelos Estados Unidos. No Líbano, o movimento não é visto como uma entidade terrorista, mas como um grupo de resistência contra a invasão israelense ao País. O grupo também é um dos principais partidos libaneses, que realiza ações humanitárias e possui uma rede de escolas e hospitais.
Apesar dos falhas apontadas pelos EUA, o relatório ressalta que o governo do Brasil condenou vigorosamente o terrorismo e que, em geral, continua melhorando sua capacidade antiterrorista.
Em dezembro de 2005, foi realizada em Brasília a 4ªReunião Plenária do Grupo 3+1 sobre a Segurança da Tríplice Fronteira reunindo os governos de Brasil, Argentina, Paraguai e Estados Unidos. Na ocasião, foi divulgado um comunicado conjunto que não confirmava o suposto envio de recursos para grupos terroristas.
O Departamento de Estados explicou ontem que uma comissão governamental propôs uma nova estrutura nacional inter-agências contra o terrorismo, mas o governo (brasileiro) não apresentou a legislação para implementá-la.
O Itamaraty informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que o governo brasileiro já tomou conhecimento do relatório, mas não quis comentar o documento alegando que sua análise ainda seria feita.


