As declarações do presidente sírio Bachar al-Assad sobre Israel e os judeus, feitas no sábado após a chegada do papa João Paulo II a Damasco, ‘‘são tão lamentáveis como inaceitáveis’’, afirmou ontem o porta-voz do departamento de Estado, Richard Boucher.
‘‘Esses comentários são tão lamentáveis como inaceitáveis. Não há espaço para ninguém, ou nenhuma das partes, fazer declarações que aumentem as paixões religiosas ou o ódio’’, acrescentou Boucher em um encontro com a imprensa no departamento de Estado.
‘‘Apoiamos o pedido do papa para a reconciliação. É a única forma, especialmente em tempos difíceis, de conquistar a paz’’, disse Boucher.
O presidente sírio, que em nenhum momento citou Israel, ao receber o papa em Damasco, no sábado, se referiu a Israel e aos judeus em geral.
‘‘Existema partes que fazem sofrer e assassinam nosssos irmãos na Palestina, e que violam a justiça espoliando e ocupando territórios no Líbano, Golã e Palestina’’, afirmou.
‘‘Eles assassinam o princípio de igualdadade quando dizem que Deus criou um povo à parte e agridem os locais santos muçulmanos e cristãos’’, acrescentou o chefe de estado sírio.
Os israelenses classificaram essas declarações de ‘‘ignóbeis’’, reagindo particularmente às afirmações de Bachar al-Assad acusando Israel de querer ‘‘assassinar os princípios de todas as religiões, da mesma maneira que (os judeus) traíram Jesus e mataram o profeta Maom钒.
A França também criticou as declarações do presidente sírio, afirmando que ‘‘não respondem desgraçadamente’’ ao pedido de paz feito na Síria pelo sumo pontífice.
Papa em MaltaO papa João Paulo II chegará hoje a Malta para uma visita oficial de dois dias, a segunda à católica ilha mediterrânea, durante a qual fará três beatificações.
Com a visita a Malta, o papa concluirá uma histórica peregrinação iniciada a 4 de maio, que o levou a Atenas, Damasco e Kuneitra, na planície de Golan, ‘‘seguindo os passos de São Paulo’’.
Depois de duas etapas difíceis, a primeira na Grécia, pátria da ortodoxia mais intransigente, e a segunda na Síria, onde se transformou no primeiro pontíficie da história a entrar numa mesquita, poderá distender-se ao ser recebido por uma população 99% católica.
O sumo pontífice visitou Malta em maio de 1990 e, nesse mesmo ano, fez uma escala na ilha a caminho da Tanzânia.

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