EUA crêem ter aval para ataque
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terça-feira, 03 de março de 1998
Reuter 
France PresseUnanimidadeDocumento foi aprovado pelo Conselho de Segurança da ONU na noite de segunda feira por 15 a 0Contrariando a maioria dos membros do Conselho de Segurança, os EUA alegaram ontem que uma resolução ameaçando o Iraque com as mais severas consequências se ele não cumprir o acordo com a ONU para a inspeção de seus arsenais significa que o país será alvo de um ataque automático caso esse pacto seja violado.
O significado de as mais severas consequências é claro: isso dá autoridade para agir se o Iraque não cumprir seu compromisso, afirmou o presidente Bill Clinton. Seu porta-voz, Mike MCurry, foi mais explícito: A expressão mais severas consequências significa ação militar.
O embaixador americano na ONU, Bill Richardson, reforçou o recado: Não será preciso reunir o conselho de novo - a resolução dispensa esse recurso, disse ele à TV francesa.
France PresseInterpretaçãoBill Richardson, representante dos EUA: Autoridade para agir
Em outra entrevista, Richardson afirmou: Já tínhamos autoridade para usar a força e a resolução reforça esse ponto de vista - ela foi redigida de uma forma que deixa claro que qualquer Estado membro pode adotar uma ação unilateral se esse Estado sentir que há uma violação.
Mas, fora a Grã-Bretanha, os outros membros do Conselho de Segurança não dividem essa opinião. Durante a votação da resolução, na noite de segunda-feira, representantes da França, Rússia, China, Brasil e Portugal, entre outros, disseram que um eventual ataque precisará de aprovação específica do conselho.
A resolução é muito clara: não há automatismo de nenhum tipo, reiterou ontem um porta-voz da chancelaria francesa.
O documento, aprovado por 15 votos a zero, endossa o acordo acertado em fevereiro em Bagdá pelo secretário-geral da ONU, Kofi Annan, que prevê o acesso imediato, incondicional e irrestrito de inspetores de armas da organização - acompanhados por diplomatas de países do Conselho de Segurança - aos palácios iraquianos suspeitos de esconder armas de destruição em massa.
Qualquer violação acarretará as mais severas consequências para o Iraque, diz a resolução. Mas acrescenta, no que é considerado pelos opositores do ataque automático uma garantia contra tal automaticidade: O conselho decide permanecer ativamente ocupado da matéria para garantir o cumprimento de sua resolução, a paz e a segurança na área.
De qualquer forma, o Iraque garantiu ontem que o documento do conselho não altera sua decisão de cumprir o acordo. O chanceler Mohammed Said al-Sahaf disse que a ameaça contida na resolução é só retórica política para salvar a cara dos americanos.


