France Presse‘‘Unanimidade’’Documento foi aprovado pelo Conselho de Segurança da ONU na noite de segunda feira por 15 a 0Contrariando a maioria dos membros do Conselho de Segurança, os EUA alegaram ontem que uma resolução ameaçando o Iraque com ‘‘as mais severas consequências’’ se ele não cumprir o acordo com a ONU para a inspeção de seus arsenais significa que o país será alvo de um ataque automático caso esse pacto seja violado.
‘‘O significado de as mais severas consequências é claro: isso dá autoridade para agir se o Iraque não cumprir seu compromisso’’, afirmou o presidente Bill Clinton. Seu porta-voz, Mike MCurry, foi mais explícito: ‘‘A expressão ‘mais severas consequências’ significa ação militar’’.
O embaixador americano na ONU, Bill Richardson, reforçou o recado: ‘‘Não será preciso reunir o conselho de novo - a resolução dispensa esse recurso’’, disse ele à TV francesa.
France Presse‘‘Interpretação’’Bill Richardson, representante dos EUA: ‘Autoridade para agir’
Em outra entrevista, Richardson afirmou: ‘‘Já tínhamos autoridade para usar a força e a resolução reforça esse ponto de vista - ela foi redigida de uma forma que deixa claro que qualquer Estado membro pode adotar uma ação unilateral se esse Estado sentir que há uma violação.’
Mas, fora a Grã-Bretanha, os outros membros do Conselho de Segurança não dividem essa opinião. Durante a votação da resolução, na noite de segunda-feira, representantes da França, Rússia, China, Brasil e Portugal, entre outros, disseram que um eventual ataque precisará de aprovação específica do conselho.
‘‘A resolução é muito clara: não há automatismo de nenhum tipo’’, reiterou ontem um porta-voz da chancelaria francesa.
O documento, aprovado por 15 votos a zero, endossa o acordo acertado em fevereiro em Bagdá pelo secretário-geral da ONU, Kofi Annan, que prevê o acesso imediato, incondicional e irrestrito de inspetores de armas da organização - acompanhados por diplomatas de países do Conselho de Segurança - aos palácios iraquianos suspeitos de esconder armas de destruição em massa.
‘‘Qualquer violação acarretará as mais severas consequências para o Iraque’’, diz a resolução. Mas acrescenta, no que é considerado pelos opositores do ataque automático uma garantia contra tal automaticidade: ‘‘O conselho decide permanecer ativamente ocupado da matéria para garantir o cumprimento de sua resolução, a paz e a segurança na área.’
De qualquer forma, o Iraque garantiu ontem que o documento do conselho não altera sua decisão de cumprir o acordo. O chanceler Mohammed Said al-Sahaf disse que a ameaça contida na resolução ‘‘é só retórica política para salvar a cara dos americanos’’.

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