EUA convocarão reservista para fortalecer OTAN
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 16 de abril de 1999
Associated Press 
Numa decisão que aumentou os rumores sobre preparativos para invasão da Iugoslávia, os EUA anunciaram ontem a convocação para breve de um número significativo de reservistas para fortalecer as tropas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) nos Bálcãs. Não tenho ainda informação sobre o total de reservistas que chamaremos, disse o secretário da Defesa americano, William Cohen. O jornal The New York Times estima em mais de 30 mil. Segundo o diário, a medida vai causar grandes transtornos aos reservistas e suas famílias. Muitos deles terão de abandonar temporariamente as escolas e os empregos (a notícia causou tensão em muitos empresários). Boa parte do contingente seria constituída de pilotos de jatos, técnicos aeronáuticos e tripulantes de aviões, treinados pela Guarda Nacional. O NYT destaca que a indústria aeronáutica, que emprega a maior parte desse pessoal altamente especializado, seria o setor mais prejudicado.
Outros dois fatos que estimularam as especulações sobre um eventual ataque terrestre em Kosovo ocorreram em Londres e Moscou. O secretário da Defesa britânico, George Robertson, afirmou que a Otan mantém a opção do uso de tropas. Evidentemente, continuamos acreditando que a campanha aérea forçará Milosevic a negociar. Por sua vez, as autoridades militares russas calcularam que as tropas da Otan estarão aptas para a invasão num prazo que varia de uma a duas semanas. O presidente Boris Yeltsin rechaçou recentemente qualquer tentativa do uso de forças terrestres da Otan no conflito. Isso vai mergulhar o mundo em uma nova guerra, disse ele ao insinuar que poderia reapontar seus mísseis intercontinentais russos, com suas ogivas nucleares, contra os países membros da aliança. A propósito, a poderosa frota russa do Mar Negro iniciou onteme manobras navais, que envolvem pelo 30 navios. O porta-voz da Marinha russa, Andrei Grachev, não quis dizer se os exercícios militares tinham alguma vinculação com a crise nos Bálcãs.


