EUA cobram mais ação do Brasil em relação a migrantes
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terça-feira, 26 de junho de 2018
Patrícia Campos Mello e Gustavo Uribe<br>Folhapress 

Brasília - Em meio às tensões causadas pela detenção de 51 crianças brasileiras nos Estados Unidos, o vice-presidente americano, Mike Pence, cobrou nesta terça-feira (26) maior empenho do Brasil para solucionar a crise migratória no continente e para isolar o regime de Nicolás Maduro na Venezuela. Em visita a Brasília, Pence aproveitou para fazer uma advertência dura a imigrantes ilegais da América Central, de onde sai a maioria dos imigrantes com destino aos EUA. "Para as pessoas da América Central, tenho um recado para vocês, do coração: queremos que suas nações prosperem e vocês não arrisquem suas vidas e as de seus filhos tentando vir para os EUA. Se vocês não conseguem vir legalmente, não venham; cuidem de suas crianças e construam suas vidas em seus países de origem."
Em declaração à imprensa após encontro com Temer e almoço no Itamaraty, Pence afirmou que o governo americano está trabalhando para reunir as famílias, entre elas, "as famílias brasileiras que foram pegas nessa onde de imigração ilegal". Desde que foi implementada a política de tolerância zero com imigração ilegal pelo governo Trump, mais de 2300 crianças foram detidas, separadas de suas famílias. "Deixe-me ser claro: os Estados Unidos têm sido o país mais acolhedor para imigrantes em toda a história da humanidade", afirmou.
Pence, no entanto, ressaltou que o país está investindo como nunca na segurança de suas fronteiras. "Quero dizer a todas as nações da região, com todo o respeito: da mesma maneira que os EUA respeitam suas fronteiras e sua soberania, insistimos que vocês respeitem as nossas." O tom de Pence causou mal-estar entre integrantes do governo brasileiro, que não esperavam cobranças na declaração à imprensa, mas, sim, promessas de pronta resolução do problema das crianças brasileiras.
Segundo o vice-presidente americano, os EUA estão ajudando a combater o crime e o tráfico de drogas na região, causas que levaram mais de 150 mil pessoas a imigrarem ilegalmente para os EUA nos últimos seis meses. "Queremos que as pessoas do nosso hemisfério possam construir uma vida melhor para elas no país onde elas nasceram."
O americano afirmou que todos os países do hemisfério precisam ajudar a garantir a estabilidade de países vizinhos aos Estados unidos, para que as pessoas desses países - principalmente Honduras, Guatemala e El Salvador - fiquem em suas próprias casas, em vez de emigrar. "Por isso, hoje digo ao nosso aliado Brasil: chegou a hora de vocês fazerem mais."
Segundo pessoas que participaram do almoço no Itamaraty e do encontro com Temer, Pence foi muito mais cordato longe das câmeras. Ele se reunirá com os presidentes de Guatemala, Honduras e El Salvador na quinta-feira (28), na Guatemala.
O vice-presidente americano elogiou a atuação do Brasil em relação à Venezuela, mas também aproveitou para fazer cobranças. "Obrigado pelo apoio com a recepção de mais de 50 mil venezuelanos e por enfrentar o regime de Nicolás Maduro e ser um parceiro dos Estados Unidos", disse Pence.
Ele visitará um abrigo para venezuelanos nesta quarta-feira (27), em Manaus, e anunciou uma doação de US$ 10 milhões dos EUA (destes, US$ 1 milhão diretamente para o Brasil) para ajudar na acolhida dos refugiados venezuelanos.
Pence afirmou que os EUA impuseram as mais duras sanções da história contra membros do regime venezuelano e agradeceu a UE (União Europeia) por ter adotado sanções sobre outros 11 integrantes do governo. Ele também agradeceu ao Brasil pelos esforços para isolar o governo Maduro por meio da suspensão do Mercosul. "Mas agora é hora de agir de forma mais enérgica - exortamos o Brasil a adotar mais medidas para isolar o governo venezuelano", afirmou. Após a declaração, o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, reiterou que o Brasil apenas adota sanções de forma multilateral, como por meio do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas).


