EUA atiram contra carro de jornalista libertada
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sexta-feira, 04 de março de 2005
Folhapress 
São Paulo - A jornalista italiana Giuliana Sgrena foi libertada ontem após ter sido mantida como refém durante um mês no Iraque, mas seu sofrimento não terminou. Um veículo blindado do Exército americano abriu fogo contra o carro em que Sgrena estava sendo levada para o aeroporto de Bagdá (capital), de acordo com informações do governo italiano.
O agente secreto italiano identificado como Nicola Calipari morreu e Sgrena ficou ferida, segundo Roma. ''Ela estava indo de carro para o aeroporto com três pessoas das forças de segurança italianas. Forças americanas abriram fogo contra o carro'', disse o diretor-editorial do jornal ''Il Manifesto'', Francesco Paterno.
Os disparos foram feitos aparentemente por engano, mas o Exército americano ainda não divulgou nenhuma informação sobre o caso. Sgrena foi levada para um hospital iraquiano com um ferimento no ombro.
Pouco antes, a rede de TV Al-Jazeera (Qatar) havia anunciado a libertação da jornalista. Funcionária do jornal ''Il Manifesto'', jornal contrário à invasão iraquiana, Sgrena foi capturada no dia 4 de fevereiro, quando fazia algumas entrevistas perto da Universidade de Bagdá.
Vários comunicados, atribuídos a grupos rebeldes, reivindicaram a morte da jornalista, e a ameaçaram de morte, caso a Itália, que mantém três mil soldados no Iraque, não saísse do país. O diretor do ''Il Manifesto'', Francesco Paterno, afirmou que a informação sobre a libertação de Sgrena foi passada a ele por Gianni Letta, vice-secretário de governo italiano e braço-direito do premiê italiano Sílvio Berlusconi.
Pouco depois, o presidente italiano, Carlo Azeglio Ciampi, confirmou oficialmente a libertação da jornalista. Ele agradeceu a todos que contribuíram à libertação.
Mais de 120 estrangeiros foram tomados como reféns no Iraque no ano passado, e ao menos um terço morreu nas mãos dos rebeldes. A jornalista francesa Florence Aubenas, 43, que trabalha para o ''Libération'' continua no poder dos insurgentes. Na terça-feira, um vídeo exibido pela televisão italiana mostrava-a pedindo ajuda ao Parlamento francês. Aubenas foi capturada por rebeldes no dia 5 de janeiro.
Brasileiro- Em 19 de janeiro, o engenheiro brasileiro João José de Vasconcellos Júnior, 49, desapareceu em Beiji, ao norte do país. Na ocasião, ele estava em um comboio da empresa Janusian Risk Management, que foi atacado por rebeldes. Na ação, dois funcionários da Janusian, um britânico e um iraquiano, foram mortos.
Vasconcellos Jr. é funcionário da construtora Norberto Odebrecht, que tinha contratos no Iraque. Depois do seu desaparecimento, nem a família ou o governo brasileiro tiveram informações do brasileiro. O único dado é um vídeo, divulgado em 22 de janeiro, em que supostos rebeldes das Brigadas Mujahidin e do Exército de Ansar al Sunna mostram a carteira de mergulhador do engenheiro, e dinheiro brasileiro.


