Com sua credibilidade pessoal em frangalhos e sua presidência mais do que nunca ameaçada pelo ‘‘affair’’ que finalmente confessou - esta semana - ter tido com a ex-estagiária na Casa Branca Mônica Lewinsky, o presidente Bill Clinton reassumiu ruidosamente ontem o comando político dos Estados Unidos ordenando ataques contra ‘‘instalações terroristas’’ no Afeganistão e no Sudão. As ações militares, sobre as quais o secretário da Defesa, William Cohen, não forneceu detalhes, foram apresentadas por Clinton como um ato tanto de retaliação pelos ataques à bomba contra as embaixadas dos Estados Unidos no Quênia e na Tanzânia, na semana passada, como de autodefesa, calculado para reduzir a capacidade de grupos terroristas islâmicos que reiteraram a determinação de levar a cabo novos ataques contra representações americanas no mundo.
O presidente, que estava de férias na ilha de Martha’s Vineyard, justificou a ação afirmando que os serviços de inteligência americanos detectaram ‘‘fortes indícios’’ de que as instalações atingidas ‘‘estavam sendo usadas na preparação de novas ações terroristas contra os EUA’’, e ‘‘eram operadas por grupos que tiveram papel-chave nos ataques contra as embaixadas em Nairóbi e Das-el Salam’’. Segundo Clinton, esses grupos são ligados ao milionário dissidente saudita Osama bin Laden, que Washington considera o principal financiador do terrorismo internacional. O presidente acrescentou que eles já realizaram atentados contra os EUA no passado.
Segundo o comandante do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas dos EUA, general Hugh Shelton, as ações americanas atingiram seis instalações num campo de treinamento de grupos terroristas situado a cerca de 150 quilômetros ao sul de Cabul, próximo a fronteira do Paquistão. De acordo com informações divulgadas pela rede CNN, Osama bin Laden estava numa das instalações alvejadas pelo ataque americano cerca de quatro horas antes do ataque.
Segundo o general Shelton, outro alvo americano foi um edifício ‘‘na zona industrial’’ de Cartum, a capital do Sudão, na África, que, segundo o general, seria a fonte de elementos químicos usados na fabricação de bombas usadas em ataques terroristas passados e em preparação contra os EUA. O governo do Sudão desmentiu que haja fábricas de armas químicas no país e disse que a bomba ou bombas americanas atingiram uma fábrica de remédios privada.

mockup