A contribuição dos maiores países da América Latina na guerra contra o terror liderada pelos Estados Unidos precisa ser maior e efetiva; tão efetiva quanto a formação de um grupo aeronaval que combine o poder de fogo das três forças navais mais bem equipadas da região: as do Brasil, da Argentina e do Chile.

A integração operacional dos recursos produziria uma formidável esquadra de combate com 88,8 mil homens, 169 embarcações diversas, 85 aviões de combate, 97 helicópteros e capacidade para executar ações abrangentes de interdição também contra o tráfico de armas e de drogas.

A proposta, desenvolvida em caráter definido como ''informal'' por congressistas do Partido Republicano e oficiais do Pentágono ligados ao Comando Sul foi discutida no último dia 6 com funcionários do Departamento de Estado pelo deputado Mark S. Kirk, um comandante da reserva da Marinha americana, para quem ''se houver disposição política da Casa Branca em fazer isso, é possível ter a frota trinacional cumprindo seu papel em pouco tempo''.

Segundo Kirk, parlamentar influente na Comissão de Defesa do Congresso, ''não é uma idéia de fácil aceitação''. ''Os diplomatas de Washington sabem que é preciso superar séculos de desconfiança mútua, rever conceitos de soberania e de supremacia militar regional, questões muito delicadas'', explica.

No Brasil, o Ministério da Defesa desconhece a iniciativa e o ministro Geraldo Quintão adota a regra de não comentar hipóteses. Todavia, na Marinha, fontes da área de inteligência acreditam que o País terá dificuldade cada vez maior para manter a política fixada no Ministério das Relações Exteriores de alocar tropas apenas para integrar forças de manutenção da paz e não de imposição pela força.

''Desde os atentados de 11 de setembro o governo americano vem procurando motivos para pressionar adesões concretas à coalizão militar antiterrorista idealizada pela assessora de segurança Condoleesa Rice, e nesse sentido a participação da América Latina tem sido muito pequena'', diz um oficial. Um analista do Itamaraty considera a passividade dos governos latino-americanos consequência da ''enorme distância do conflito do Afeganistão e ao fato de não haver tradição de envio de contingentes para zonas de combate''.

Atentados Imediatamente após os ataques ao World Trade Center, em Nova York, e ao prédio do Pentágono, em Washington, 23 nações signatárias do Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (Tiar) invocaram na Organização dos Estados Americanos (OEA) os termos do pacto que define a agressão externa a qualquer um dos países integrantes do pacto como ''um acometimento comum a todos'' considerando a possibilidade da mobilização de forças armadas. ''No entanto as etapas seguintes, que poderiam transformar as intenções em ações concretas ainda não entraram na agenda da OEA'', argumenta o diplomata.

O deputado Mark Kirk sustenta que os governos do Brasil, da Argentina e do Chile ''podem considerar o cenário de forma pragmática: ao assumir a tarefa de exercer controle e vigilância naval na região estarão melhorando a posição em negociações com os Estados Unidos da América em acordos comerciais e de atendimento a programas de desenvolvimento econômico''.

Outro parlamentar republicano, Cass Ballenger, especialista em assuntos da América Latina, acredita que a Colômbia e o México poderão ser envolvidos no empreendimento, passando a cuidar das rotas do Caribe ''a partir da sólida base que as marinhas de ambas as nações dispõem por conta da constante repressão aos narcotraficantes e contrabandistas''. Ballenger vê a regionalização de compromissos de defesa como uma tendência da política externa dos EUA.

mockup