O Senado dos Estados Unidos aprovou ontem o projeto de construção de um sistema de defesa antimísseis que pode pôr em risco futuras negociações de controle de armas com países como a Rússia e a China.
A medida, proposta pela oposição republicana, ganhou impulso com o apoio dos senadores democratas, preocupados com as recentes provas de mísseis balísticos realizadas por Irã e Coréia do Norte e com a suspeita de que cientistas chineses roubaram do laboratório nuclear de Los Alamos segredos que permitiram a Pequim desenvolver pequenas, mas eficientíssimas, ogivas nucleares.
O projeto, que tem custo estimado de US$ 6,6 bilhões para os próximos cinco anos, é semelhante ao chamado Guerra nas Estrelas, apresentado na década passada pelo ex-presidente Ronald Reagan e motivo de intensos debates entre republicanos e democratas.
Os que se opunham ao sistema de defesa alegavam que ele violava o Tratado Antimísseis Balísticos, conhecido como ABM, firmado em 1972 com a União Soviética.
A Rússia sucedeu a dissolvida URSS como signatária do acordo. Nos últimos meses, os EUA vêm pressionando a Duma (Câmara Baixa do Parlamento russo) para ratificar outro tratado de desarmamento, o Start-2, que prevê a redução dos arsenais nucleares ex-soviéticos e americanos para o máximo de 3,5 mil ogivas, mas Washington, à luz das últimas declarações de autoridades de Moscou, temia que a aprovação do sistema de defesa prejudicasse a aprovação desse acordo.
Senadores republicanos declararam nos últimos dias que o ABM era um tratado obsoleto e precisava ser revisto.
Depois da aprovação do Senado, por 97 votos a 3, o projeto passa à apreciação da Câmara dos Representantes, cuja maioria tem posição favorável à medida, embora não especifique uma data para que o sistema comece a ser desenvolvido. O secretário de Defesa William Cohen estima que um projeto dessa envergadura não poderá ser iniciado antes de 2005.

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