WashingtonO Governo dos EUA anunciou ontem uma nova doutrina de segurança, na qual adverte que lançará ataques preventivos contra Estados hostis e grupos terroristas que ameacem o país, rompendo com a tradicional doutrina de dissuasão. A nova ''Estratégia de segurança nacional de EUA'', divulgada ontem pela Casa Branca, detalha em 33 páginas a doutrina do uso da força da administração do presidente George W. Bush, numa época em que a nação ''tem uma posição de força militar, influência econômica e política única''.
O documento, apresentado no Congresso, afirma pela primeira vez que os Estados Unidos jamais permitirão que sua hegemonia militar seja desafiada da forma como ocorreu durante a Guerra Fria.
O texto da nova estratégia divulgada inicialmente incluía a frase: ''O presidente não tem intenção de permitir que alguma outra potência reduza a enorme vantagem que os EUA conquistaram desde a queda da União Soviética, há mais de uma década''. No entanto, esse trecho foi retirado da nova versão divulgada posteriormente. O porta-voz da Casa Branca, Ari Fleischer, negou que o parágrafo tenha sido retirado por preocupação de que o tom do documento tenha sido muito arrogante. ''Penso que o tom do documento fala por si mesmo'', disse Fleischer.
Desde que, em janeiro passado, Bush anunciou a existência de um ''eixo do mal'' integrado, segundo ele, por Irã, Iraque e Coréia do Sul o Governo dos EUA mostrou a determinação crescente de usar a força para um ''mudança de regime'' no Iraque.
Contra os tratados O documento despreza todos os tratados de não proliferação de armas nucleares assinados durante a Guerra Fria, e elege a ''contraproliferação'', ou seja uma política ativa de desmantelamento dos arsenais atômicos de outros países.
Também declara que a estratégia de contenção e dissuasão eixo da política externa dos EUA desde o fim da Segunda Guerra Mundial tornou-se obsoleta e que não há forma de, no mundo atual, dissuadir os que ''odeiam os EUA e tudo o que esta nação representa''. Por isso, a nova doutrina afirma que ''os EUA lutarão constantemente para obter o apoio da comunidade internacional, mas não hesitaremos em agir sós, se for necessário, no exercício de nosso direito de defesa própria, com ações preventivas contra os terroristas''.
Em uma tentativa de evitar críticas aos EUA, o secretário de Estado, Colin Powell, explicou que os ataques preventivos foram uma possibilidade durante os últimos 15 anos, mas que ''ganharam importância'' para enfrentar os grupos que não podem ser contidos, como os terroristas.
A estratégia proposta por Bush e seus assessores alega que ''um mundo onde alguns vivem em conforto e abundância enquanto a metade da humanidade vive com menos de 2 dólares por dia, não é um mundo justo nem estável''. Por isso, os ''EUA darão ajuda a todos os países que cumpram com as reformas nacionais'' e para isso a administração Bush propôs um aumento de 50 por cento na assistência para o desenvolvimento que os Estados Unidos concedem.

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