Alvo do bombardeio foi uma base aérea síria: Damasco e os aliados Rússia e Irã criticaram ofensiva norte-americana
Alvo do bombardeio foi uma base aérea síria: Damasco e os aliados Rússia e Irã criticaram ofensiva norte-americana | Foto: Ford Williams/Marinha dos EUA/AFP


Nova York - Os Estados Unidos advertiram que estão prontos para lançar novos ataques contra o governo sírio, um dia depois de ter bombardeado uma base aérea no país, que reagiu com fúria junto a seus aliados, Rússia e Irã. "Os Estados Unidos tomaram uma decisão muito comedida na noite passada" com o ataque à base aérea síria, disse a embaixadora americana na Organização das Nações Unidas (ONU), Nikki Haley, no Conselho de Segurança, que realizou uma sessão de emergência após o primeiro ataque de Washington contra as forças sírias. A diplomata enfatizou que estão "dispostos a fazer mais, mas esperamos que isso não seja necessário".

O ataque americano foi uma represália, três dias depois de um suposto ataque com armas químicas contra a cidade rebelde Khan Sheikhun, que deixou mais de 85 mortos e foi atribuído ao governo de Bashar Assad. O Pentágono suspeita que a Síria tenha recebido ajuda para realizar o suposto ataque químico, embora funcionários americanos não se atrevam a acusar a Rússia de ter participado.

O lançamento de mísseis de cruzeiro Tomahawk contra a base aérea de Al-Shayrat, próximo da cidade de Homs, causou a fúria da Rússia e do Irã, aliados de Assad. "Os Estados Unidos atacaram o território soberano da Síria. Qualificamos esse ataque como uma violação flagrante da lei internacional e um ato de agressão", disse o embaixador de Moscou na ONU, Vladimir Safronkov, no Conselho de Segurança.

A presidência síria chamou os bombardeios americanos de ato "irresponsável" e "idiota".
O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, a França e a Grã-Bretanha pediram uma solução "política" para a crise. Antes da reunião do Conselho, Guterres ainda fez um pedido por "moderação" e destacou que "não existe outra via para pôr fim ao conflito além de uma solução política".

Os bombardeios com mísseis foram ordenados na quinta-feira (6) pelo presidente Donald Trump. Cerca de 60 mísseis de cruzeiro Tomahawk foram disparados por dois navios americanos no Mediterrâneo até a base aérea síria de Al-Shayrat. Horas depois, o Exército sírio falava em "seis mortos, feridos e importantes danos materiais". A agência de notícias oficial Sana anunciou a morte de nove civis, incluindo crianças, em povoados próximos.

O Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH) indicou que sete soldados morreram e que o aeroporto militar "foi quase totalmente destruído: os aviões, a pista, o depósito de combustível e o edifício da Defesa Aérea foram pulverizados".

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