Bagdá - As forças de polícia iraquianas anunciaram ontem ter tomado o controle do cemitério de Najaf, onde está entrincheirado o líder radical xiita Moqtada al-Sadr, depois de violentes confrontos que também envolveram a aviação americana e nos quais teriam morrido mais de 300 milicianos, segundo o exército americano.
O governador da província de Najaf lançou um ultimato de 24 horas à milícia xiita de Al-Sadr para que deixe o país. Por sua vez, a ONU pediu o fim dos combates, temendo que estes afetem a organização da Conferência Nacional.
Em Najaf, 100 km ao sul de Bagdá, não foi possível confirmar o controle do cemitério pelos policiais. De fato, os acessos ao local estavam totalmente bloqueados por causa dos combates. ''As operações militares vão continuar, a menos que o Exército de Mehdi - a milícia de Al-Sadr - deixe a província. Ele tem um prazo de 24 horas para obedecer, a partir da divulgação da presente declaração'', afirmou à imprensa o governador de Najaf, Adnan al-Zorfi. ''Não haverá qualquer compromisso sobre uma nova trégua'', advertiu.
Segundo Al-Zorfi, ''quase 400 milicianos foram mortos em combate nas últimas 48 horas''. ''Acreditamos ter matado 300 insurgentes, e registramos três mortos e 12 feridos do nosso lado'', destacou por sua vez à AFP o capitão dos marines, Carrie Batson.
De acordo com testemunhas, os milicianos xiitas estavam totalmente cercados no centro da cidade pelos soldados americanos e pelas forças de segurança iraquianas. Najaf está sem eletricidade, água e telefone.
Esta ofensiva provocou os combates mais violentos desde a trégua decretada em junho entre as forças da coalizão e os dirigentes políticos e religiosos da comunidade xiita. O emissário especial da ONU, Jamal Benomar, avisou que a recrudescência da violência no Iraque podia afetar a organização da Conferência Nacional iraquiana.
Na ocasião da oração tradicional de sexta-feira em Kufa, perto de Najaf, Al-Sadr afirmou que os americanos eram ''nossos inimigos''. Em mensagem lida pelo xeque Jaber el-Khafadji, o líder radical xiita também fez uma advertência à polícia iraquiana, declarando que seu movimento ''se oporá a qualquer agressão'' das forças de segurança iraquianas, acusadas de atacar ''a população pacífica''.
Em Washington, o presidente George W. Bush se recusou a apresentar uma agenda de retirada dos cerca de 140.000 militares americanos posicionados no Iraque, considerando que uma retirada imediata provocaria ''um banho de sangue''. ''Temos de ficar com os iraquianos até que eles alcancem seu objetivo'' de construir um Iraque democrático, frisou.

mockup