Os Estados Unidos e a Coréia do Sul advertiram ontem o Governo da Coréia do Norte contra qualquer tentativa de desenvolver armas armas nucleares e balísticas, ao final de uma reunião de cúpula entre o presidente sul-coreano Kim Dae Jung e seu colega norte-americano Bill Clinton, que aproveitou para insistir que Seul deve proceder uma abertura maior de seus mercados. Washington e Seul não tolerarão a proliferação de armas nucleares e balísticas do regime de Pyongyang, declarou Kim depois de três horas de reunião com Clinton, que chegou sexta-feira para realizar uma visita de dois dias a esse país.
Os dois chefes de Estado também abordaram a crise econômica na Ásia, as reformas realizadas por Seul para enfrentar essa crise e várias divergências comerciais, especialmente no terreno da siderurgia.
Clinton afirmou que a segurança na região é uma fonte de ‘‘forte preocupação’’ para Washington, evocando o lançamento, em agosto passado, de um míssil de longo alcance do tipo Taepodong e a construção de uma recente instalação subterrânea pela Coréia do Norte.
‘‘Estamos de acordo em considerar que devem ser tomadas todas as medidas necessárias para estabelecer a vocação e a natureza da instalação secreta, procedendo a uma vistoria detalhada’’, afirmou Kim, em referência ao recinto subterrâneo, que pode servir para esconder instalações nucleares.
Por sua parte, Clinton advertiu a Coréia do Norte contra novas provocações, como o lançamento de mísseis, o que, segundo afirmou, poderá colocar em perigo a melhoria das relações bilaterais.
Um agravamento das tensões na península coreana poderá levar o Congresso norte-americano a cessar a ajuda humanitária para Pyongyang prevista nos acordos de 1994, advertiu.
Abordando questões econômicas, Clinton elogiou as reformas aplicadas por Seul para estabilizar a situação, ao mesmo tempo que pediu uma abertura maior dos mercados sul-coreanos.
‘‘Os Estados Unidos esperam que a Coréia continue sendo o país líder na manutenção e expansão dos mercados abertos durante as dificuldades econômicas que a Ásia atravessa’’, afirmou.
‘‘Também esperamos que a Coréia continue abrindo seus mercados e resista à tentação do protecionismo’’, acrescentou Clinton.
O presidente norte-americano igualmente pediu à Coréia do Sul que dê fim às ‘‘práticas desleais e aos subsídios nos setores sensíveis como o do aço e dos semicondutores’’, pontos de divergência comercial entre os dois países.
Por fim, Clinton expressou seu desejo de que o caso Lewinsky seja colocado de lado para que ele possa se dedicar inteiramente à direção dos Estados Unidos.
‘‘Tenho confiança nos norte-americanos e espero que o Congresso tome a decisão certa, com um espírito imparcial e não político. Minha única preocupação é deixar tudo isso para trás e me concentrar nos assuntos do meu país’’, respondeu ele a um jornalista que perguntou se achava que ia ser punido pelo Congresso norte-americano. ‘‘Não me corresponde dizer o que o Congresso deve fazer.’’
O presidente norte-americano afirmou que o caso Lewinsky deixou, há muito tempo, de ser um problema político e legal para se converter em uma questão pessoal. ‘Cada dia, faço o que posso para superar esta questão e manter-me no bom caminho, restaurando a relação familiar com minha esposa e minha filha, o que, do ponto de vista pessoal, é o mais importante para mim’’, acrescentou.
Conforme a programação estabelecida, o presidente Clinton vai visitar hoje várias bases norte-americano-coreanas, aproveitando para um contato mais direto com os militares de seu país. Depois, a tarde, deixará Seul voando para Guam, dando sequência à viagem que realiza pelos países asiáticos.

mockup