O porta-voz do Pentágono, Ken Bacon, admitiu ontem que a morte de 11 civis em Basra foi causada por um míssil americano. ‘‘Analisamos as informações de ontem (segunda-feira) e descobrimos que um míssil AGM-130 errou seu alvo e explodiu numa vizinhança residencial vários quilômetros longe de seu alvo. Não temos qualquer estimativa independente de mortos e feridos’’, disse o porta-voz.
Berger havia afirmado anteriormente em sua entrevista que os EUA têm procurado evitar causar vítimas civis, mas acrescentou que, em qualquer caso, a culpa por ‘‘erros’’ nos ataques americanos deve ser atribuída à resistência de Saddam em aceitar as zonas de exclusão.
Já segundo o governador de Basra, Ahmed Ibrahim Hamash, a cidade foi alvo de cinco mísseis lançados por dois aviões americanos. Três atingiram zonas residenciais, outro caiu perto do aeroporto local e o quinto, num campo petrolífero, assinalou Hamash. Além de matar 11 civis, o ataque feriu outros 59.
O representante especial da ONU no Iraque, Prakash Shah, visitou ontem as áreas atingidas em Basra (550 quilômetros ao sul de Bagdá), enquanto mulheres reunidas em torno de uma mesquita choravam os mortos batendo as mãos no peito. ‘‘É muito triste’’, comentou Shah.
Numa mensagem dirigida ao ‘‘grande povo de Basra, que resiste com valentia à agressão dos ímpios’’, Saddam prometeu vingar as mortes. ‘‘Seu sangue não terá sido derramado em vão’’, afirmou. ‘‘Seu sangue fará florescer a árvore da liberdade, da resistência e da vitória’’, acrescentou. ‘‘Sejam pacientes, pois a vitória está sempre do lado dos pacientes.’’
Saddam voltou a criticar ‘‘os líderes árabes que só o são no nome’’ (referência aos dirigentes do Kuwait e da Arábia Saudita), acusando-os de ‘‘escutar a voz do demônio’’ pelo fato de apoiarem as ações americanas contra o Iraque.
A Liga Árabe divulgou ontem um comunicado ‘‘lamentando profundamente’’ o ataque contra Basra e a morte de civis. A organização reiterou seu pedido de que os EUA suspendam suas operações militares nas zonas de exclusão.
Tais zonas foram criadas por iniciativa de Washington após a Guerra do Golfo, em 1991 para proteger as comunidades curda (no norte) e xiita (no sul)..DesesperoCrianças observam os escombros de uma casa atingida por projetéis lançados domingo sobre BasraReuters

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