Bagdá - O Irã fornece bombas a grupos extremistas iraquianos, que mataram mais de 170 militares americanos e aliados desde junho de 2004, afirmaram ontem altos funcionários da Defesa dos Estados Unidos.
''O Irã está envolvido no fornecimento de projéteis explosivos (EFP) e outros materiais a grupos extremistas iraquianos'', informou sob anonimato uma fonte americana da Força Multinacional no Iraque.
Os três oficiais que conversararam com a imprensa apontaram as Brigadas Al-Qods dos Guardiães da Revolução, uma parte das forças de elite do regime iraniano, como os fornecedores de armamento.
Um deles explicou que a Força Multinacional tem provas de um aumento das entregas de EFP - um tipo de bomba concebida para superar blindagens - aos grupos armados xiitas.
''Consideramos que estas atividades são dirigidas desde os níveis mais altos da administração iraniana'', acrescentou uma fonte, ao afirmar que as Brigadas Al-Qods respondem diretamente ao guia supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei.
As fontes militares exibiram fotografias de algumas bombas apreendidas, entre elas um míssil e vários artefatos explosivos, para comprovar as acusações.
''As Al-Qods armam extremistas e rebeldes para a execução de ataques terroristas e de guerrilha'', declarou um militar, segundo o qual este grupo ''aconselha, treina e fornece armas''.
O Exército americano mantém presos cinco iranianos detidos em uma operação no dia 11 de janeiro contra um ''escritório de interesses'' iraniano em Erbil, 350km ao norte de Bagdá.
Os militares suspeitam que estes homens estão estreitamente vinculados com as atividades contra o Iraque e as forças da coalizão mobilizadas no campo de batalha. Teerã alega que o escritório invadido é na verdade um consulado e que os detentos são diplomatas.



Provocação - A denúncia norte-americana chegou no mesmo dia em que um ex-funcionário dos serviços de segurança nacional disse à revista Newsweek que funcionários da Casa Branca estariam provocando o Irã para que o regime islâmico tome uma atitude que os EUA possam usar como desculpa para um ataque.
''(O governo) pretende ser o mais provocador possível para conseguir que os iranianos façam algo que obrigue os EUA a responder'', afirmou Hillary Mann, ex-diretor do escritório sobre o Irã e o Golfo Pérsico do Conselho de Segurança Nacional.
O presidente George W. Bush incluiu o Irã no ''eixo do mal'', ao lado de Coréia do Norte e Iraque sob o regime de Saddam Hussein, em um discurso de 2002.



Mortes - Ataque suicida com um caminhão-bomba destruiu ontem uma estação policial nos arredores de Tikrit (130km de Bagdá), deixando ao menos 17 mortos, segundo a polícia. O ataque ocorreu às 8h (3h pelo horário de Brasília), quando os policiais estavam chegando ao trabalho na estação de Adwar. A explosão destruiu o prédio e danificou três casas próximas do local, além de escritórios municipais e um posto dos correios.
Minutos depois, uma bomba colocada em uma estrada atingiu um carro na região ao oeste de Tikrit, matando dois civis e ferindo outros dois, ainda de acordo com a polícia.
Em outros ataques deste domingo, um suicida detonou explosivos presos a seu corpo perto de uma patrulha de polícia do bairro de Ilam, no sudoeste de Bagdá, matando um policial. Também em Bagdá, um carro-bomba explodiu em um cruzamento e matou duas pessoas no bairro de Mansour. Outras três ficaram feridas.

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