EUA acusam Irã de criar mísseis para ogivas
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sexta-feira, 19 de novembro de 2004
Folhapress 
São Paulo - Relatórios dos serviços de inteligência dos Estados Unidos indicam que o Irã está tentando fazer mísseis com capacidade para levar ogivas nucleares. O alerta foi feito ontem pelo secretário de Estado demissionário Colin Powell em viagem ao Chile e vai de encontro às últimas declarações do governo iraniano e da ONU.
O grupo de oposição Conselho Nacional da Resistência no Irã disse quarta-feira que Teerã está enganando a ONU e realiza atividades secretas com o objetivo de disponibilizar armas atômicas no ano que vem. ''Eu tenho visto relatos da inteligência que corroboram o que esse grupo diz'', afirmou Powell. ''E isso deve ser uma preocupação para todos.''
''Estou falando de informações que garantem que eles (iranianos) não apenas têm mísseis, mas estão trabalhando duro para colocar as duas coisas juntas'', disse o secretário referindo-se às ogivas nucleares.
O porta-voz da Casa Branca, Scott McClellan, durante viagem com o presidente Bush, afirmou que o Irã ''tem gasto parte dos últimos anos escondendo seu programa nuclear e suas intenções''.
Apesar da polêmica, a Rússia afirmou ontem que pretende continuar ajudando o Irã a criar um projeto nuclear pacífico. ''A Rússia pretende continuar a desempenhar um papel ativo no desenvolvimento pacífico do setor de energia nuclear do Irã, de acordo com o que mandam as obrigações internacionais'', disse Igor Ivanov, chefe do conselho de Segurança russo. O país possui um acordo de ajuda de US$ 800 milhões para o Irã construir um reator nuclear.
O porta-voz do Ministério do Exterior iraniano, Hamid Reza Asefi, negou qualquer intenção de criar armas nucleares e disse que as declarações visavam desestabilizar as relações do país com a Europa e a ONU. ''Essas afirmações têm o objetivo de destruir a atmosfera positiva.'' Na semana passada, após negociações com Reino Unido, França e Alemanha, o Irã anunciou a suspensão do seu programa de enriquecimento de urânio.
O governo iraniano afirma que o único interesse do país é criar combustível nuclear para fins pacíficos por meio do enriquecimento de urânio. O enriquecimento em si não viola o Tratado de Não-Proliferação Nuclear, mas a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), ligada à ONU, e muitos de seus membros querem que o país desista de seus planos como uma medida de confiança.
Analistas acreditam que o Irã é o próximo alvo para uma possível intervenção americana. Apontado como parte do ''eixo do mal'', assim como o Iraque, o país é acusado de desenvolver armas nucleares.


