São Paulo - O departamento de Estado dos Estados Unidos divulgou ontem um relatório acusando 14 países de negligenciar o crime de tráfico humano, considerado ''escravidão moderna''. Os EUA também disseram que poderão aplicar sanções contra esses Estados.
O relatório, publicado anualmente, inclui oito novos países: Arábia Saudita, Bolívia, Camboja, Emirados Árabes Unidos, Jamaica, Kuait, Qatar, e Togo. Outros seis países já tinham sido denunciados anteriormente e constam dessa nova lista. São eles: Coréia do Norte, Cuba, Equador, Mianmar, Sudão e Venezuela.
''Tráfico de seres humanos é uma forma moderna de escravidão'', afirmou a secretária de Estado Condoleezza Rice, ao divulgar os resultados. John Miller, conselheiro sênior sobre tráfico humano do Departamento de Estado disse acreditar que a ''escravidão moderna é uma praga em todos os países, incluindo os Estados Unidos''.
Os países que não enfrentam o problema podem ter a ajuda humanitária cortada, e sua participação em programas culturais e educacionais cancelada. A assessoria de imprensa do Ministério da Justiça informou ontem que o Brasil não possui um banco de dados unificado com informações sobre o tráfico de seres humanos. Por isso, as estatísticas são feitas pelas Nações Unidas.
Considerado uma das prioridades do governo federal nas ações de repressão às organizações criminosas, o combate ao tráfico internacional de seres humanos é tema de uma campanha, lançada em 2004, em Goiânia, que distribuiu folhetos em passaportes e cartazes em aeroportos.
Em parceria com a ONU, o governo instalou escritórios de atendimento às vítimas e familiares em São Paulo e Goiânia. O ministério usou como base um trabalho feito em maio de 2004 em quatro Estados, que levantou o perfil das vítimas e dos aliciadores.

mockup