Etiópia quer outro nome para secretaria da ONU
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quarta-feira, 27 de novembro de 1996
Reuter 
NAÇÕES UNIDAS - Com uma carta da Etiópia à Organização para a Unidade Africana (OUA) recomendando a nomeação de um novo candidato africano à secretaria-geral da ONU, surgiu ontem a primeira brecha na campanha liderada pela África e pela França objetivando a reeleição do egípcio Butros Butros-Ghali. Os países africanos vinham mantendo até agora um apoio firme a Butros-Ghali, que deseja permanecer por mais cinco anos no cargo como é tradição, mas enfrenta a oposição cerrada dos Estados Unidos.
O presidente da República dos Camarões, Paul Biya, que ocupa a presidência rotativa da OUA, anunciou ontem que recebeu em 20 de novembro uma carta do primeiro-ministro da Etiópia, Meles Zenawi, na qual o líder rompe a unanimidade africana em torno de Butros-Ghali. Parece que é o momento de deixar claro a nossos parceiros que a África tem outras personalidades valiosas que podem ser consideradas para assumir como secretário-geral das Nações Unidas, afirma Meles.
Até agora, a unanimidade em torno de Ghali parecia bem sólida, Não temos nenhuma lista (nova de candidatos). Ela é composta por uma pessoa, doutor Butros-Ghali, afirmou o embaixador de Botsuana na ONU, Legwaila Joseph Legwaila, depois de uma reunião do conselho na noite de segunda-feira.
Os Estados Unidos usaram seu poder de veto na terça-feira da semana passada enquanto os outros 14 membros do conselho apoiaram Butros-Ghali. Muitas nações africanas aparentemente esperam que não se apresentando outros candidatos, o conselho pode no mínimo negociar um mandato mais curto.
Na carta recebida por Biya, a importância de a África ter um segundo mandato à frente da organização é destacada. A África merece um segundo mandato nesse posto. O lobby necessário pode e deve começar agora. Qualquer atraso adicional, estou seriamente preocupado, pode resultar em um golpe fatal à oportunidade africana, diz o premiê etíope.
O presidente de Camarões, Paul Biya, chefe da Organização da Unidade Africana, deve telefonar para os líderes de nações africanas esta semana, mas ninguém espera uma rápida resposta dos 52 membros antes de o conselho se reunir novamente na sexta-feira.


