Etiópia pede extradição de terroristas
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terça-feira, 26 de novembro de 1996
Agência Estado e France Presse 
ADIS-ABEBA - O governo da Etiópia pediu ontem às autoridades das Ilhas Comores a extradição de dois sequestradores que sobreviveram à queda, no sábado, do Boeing 767 da Ethiopian Airlines. Um terceiro terrorista morreu na tentativa de pouso forçado, causada pela resistência dos sequestradores em acreditar nas advertências do piloto de que o avião estava com pouco combustível.
O primeiro-ministro etíope, Meles Zenawi, também agradeceu o governo comorense pela rápida e excepcional ação de resgate dos sobreviventes e de recolhimento dos cadáveres. As Ilhas Comores deram ao caso o tratamento característico da irmandade que prevalece entre os países da África, afirmou Zenani.
A maior dificuldade enfrentada pelos comorenses para o translado dos corpos das vítimas é a falta de caixões. Somos um país muçulmano e não temos caixões aqui, explicou o comandante da polícia militar das Ilhas Comores, Ismael Mognidaho. Esperamos que a Ethiopian Airlines traga alguns.
A busca de 42 desaparecidos foi reiniciada na madrugada de ontem. Dois dos sobreviventes da queda morreram de seus ferimentos ontem, elevando o número de mortos para 125 dos 175 ocupantes, entre passageiros e tripulantes, segundo um balanço da comissão designada pelo Ministério das Relações Exteriores do arquipélago.
Muitos sobreviventes, entre os quais pessoas feridas, foram evacuados ontem para a ilha francesa da Reunião ou para Nairóbi, no Quênia. Navios da França e da África do Sul eram esperados ontem para prosseguir com a busca dos restos do aparelho, que se encontra a poucas centenas de metros da praia do Hotel Galawa, ao norte da ilha.
Piratas Segundo uma fonte policial em Moroni, dois sobreviventes indicados como sequestradores foram levados à presença do comandante e seu co-piloto, para uma acareação. Mas os dois tripulantes salvos, que continuam em estado de choque, não concordaram em identificá-los formalmente.
De acordo com os pilotos, o avião foi desviado 15 minutos depois da decolagem do aeroporto de Addis Abeba, com destino a Nairóbi, por dois piratas que entraram na cabine de comando. O terceiro homem ficou ameaçando os passageiros. Os autores do desvio, um dos mais trágicos da história da pirataria aérea, disseram que faziam parte da oposição etíope e que queriam ir para a Austrália.


