O governo da Etiópia declarou ontem ‘‘vitória total’’ em sua guerra de fronteira contra a Eritréia depois de recapturar a contestada região de Badme, mas a Eritréia afirmou que os combates continuam.
No sábado, frente a reveses militares, a Eritréia anunciou no Conselho de Segurança das Nações Unidas que aceitava um plano de paz apresentado pela Organização da Unidade Africana, que a Etiópia já endossou.
Apesar de pedidos internacionais por um cessar-fogo imediato, o assessor presidencial eritreu Yermane Gebremeskel disse que a Etiópia lançou novos ataques na manhã de ontem ao longo do front de 60 km de Badme, nas montanhas. Ele acrescentou mais tarde que eram ‘‘de muito menor escala do que dos últimos dias’’.
A porta-voz do governo da Etiópia, Selome Taddesse, afirmou que as alegações eram ‘‘puras e simples mentiras destinadas a enganar a opinião pública’’, já que ‘‘não existem forças eritréias contra as quais lutar em Badme’’.
‘‘Uma vitória total das forças de defesa da Etiópia foi alçançada na sexta-feira’’, disse ela. ‘‘O inimigo foi completamente expulso da área.’’
A última série de combates entre os vizinhos do Chifre da África começou na última terça-feira, quando tropas da Etiópia tentaram recapturar territórios que os eritreus ocuparam em maio do ano passado no início do conflito.
Yermane confirmou que a Eritréia recuou das planícies de Badme para montanhas ao norte, depois que tropas etíopes romperam suas linhas defensivas.
‘‘O exército da Eritréia não estava satisfeito com sua posição e recuou para posições mais estratégicas antes de Badme’’, disse ele.
Mas Selome afirmou que o exército da Eritréia foi destruído e recuou ‘‘em total desorganização’’.

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