ETA nega responsabilidades
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sexta-feira, 12 de março de 2004
France Presse 
Madri - A organização separatista basca ETA desmentiu ontem qualquer responsabilidade pelo massacre terrorista de anteontem em Madri, que o governo espanhol lhe havia imputado apesar da divulgação por um jornal de língua árabe sediado em Londres da carta atribuída à rede Al-Qaeda assumindo o ato.
O ministro espanhol do Interior, Angel Acebes, admitiu que a investigação estava explorando ''novas pistas'', mas continuava privilegiando a do separatismo. ''A organização ETA nega qualquer responsabilidade pelos atentados'', afirmou um correspondente anônimo ao jornal independentista basco Gara, o canal normalmente utilizado pelo movimento separatista, e à rede de televisão pública basca ETB.
Em 36 anos de terrorismo, que deixaram 800 mortos, a organização basca nunca havia desmentido seu envolvimento em um ataque. O proscrito partido separatista basco radical Batasuna, considerado como a vitrine política da ETA e que descartou logo nas primeiras horas que seguiram os atentados a hipótese da culpabilidade basca, afirmou que a ligação anônima recebida por Gara ''era verdadeira''.
A descoberta de uma fita com versículos do Alcorão e de sete detonadores numa caminhonete roubada em Alcala de Henares, 30 km de Madri, de onde saíram os trens atingidos pelas bombas, tinha posto em dúvida desde a noite de anteontem a culpabilidade da ETA.
O dirigente do governo espanhol, José María Aznar, considerou ''lógico'' que a organização basca fosse culpada, lembrando que a ETA tentou cometer um atentado segundo o mesmo procedimento, com mochilas cheias de explosivos do mesmo tipo, na estação de trens Chamartin, em Madri, na véspera do Natal. Aznar também mencionou a apreensão, dez dias atrás, de uma caminhonete carregada com 500 kg de explosivos com um mapa da área de Alcala de Henares.


