Um carro-bomba explodiu ontem em frente a alojamentos da polícia, ferindo uma pessoa ao mesmo tempo em que os espanhóis velavam um político assassinado menos de 24 horas antes como parte de uma aparente ofensiva separatista basca.
A explosão ocorreu por volta das 12h45 GMT (9h45 pelo horário de Brasília) na cidade de Agreda, cerca de 200 quilômetros ao nordeste de Madri. A esposa de um guarda civil sofreu pequenas escoriações em uma perna devido aos estilhaços de vidro proporcionados pela explosão, informou o Ministério de Interior.
A explosão destruiu janelas mas causou pequenos danos ao complexo no qual 16 guardas civis trabalham e vivem com suas famílias. O carro foi estacionado atrás dos alojamentos, a poucos metros do prédio.
Nenhum grupo reivindicou a autoria do atentado, apesar de autoridades locais imediatamente atribuírem a culpa ao grupo separatista ETA (Pátria Basca e Liberdade).
A explosão causou novo choque aos espanhóis, que ainda tentam assimilar a explosão de um carro-bomba que deixou nove feridos na quarta-feira passada em frente a uma loja de departamentos no coração comercial de Madri e um ataque ocorrido na noite de sábado no qual o vereador José María Martín Carpena, do Partido Popular da cidade de Málaga, foi assassinado na rua na frente de sua esposa e de sua filha de 17 anos.
Ontem, milhares de pessoas participaram de manifestações em diversos municípios da Espanha contra o assassinato do vereador. Em Bilbao (País Basco, norte de Espanha) centenas de pessoas lideradas pela vicelehendakari (vice-presidenta regional), Idoia Zenarruzabeitia, se concentraram numa praça da cidade convocados pela associação pacifista ‘‘Gesto pela Paz’’.
O ministro de Interior Jaime Mayor Oreja culpou o ETA pelo crime da noite de sábado e pela explosão de ontem. Ele prometeu manter-se em favor da posição do governo contra possíveis concessões ao grupo separatista basco. ‘‘Esses princípios não mudarão, por mais difícil que seja dizer isso em Málaga’’, declarou ele a jornalistas.
Em Potosí, na Bolívia, o rei da Espanha, Juan Carlos, condenou energicamente o ‘‘crime repugnante’’ cometido pelo ETA. ‘‘Encontrando-me fora da Espanha, desejo (...) transmitir a todos os espanhóis que a rainha (Sofía) e eu nos sentimos particularmente unidos hoje a todos eles em suas reações e sentimentos de repulsa e dor’’, declarou o rei durante sua visita à cidade andina, em seu segundo dia na Bolívia.
Em Málaga, milhares de pessoas deram ontem o último adeus a Martín Carpena. Ao grito de ‘‘Assassinos, assassinos!’’ e ‘‘Bascos sim, ETA não!’’, 2 mil pessoas, segundo a polícia, acompanharam o cortejo fúnebre que transportou o caixão com o corpo do vereador até a catedral.
O presidente do Governo espanhol, José María Aznar e o ministro do Interior, Jaime Mayor Oreja, entre outras personalidades políticas, assistiram à cerimônia fúnebre.
Na Câmara da cidade, manifestantes depositaram um ramalhete de flores brancas no lugar em que Carpena costumava sentar-se.
Desde que o ETA interrompeu uma trégua de 15 meses, em dezembro passado, o grupo já organizou dez atentados, que provocaram a morte de seis pessoas, entre elas políticos, jornalistas, policiais e militares.

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