ETA avisa que vai retomar luta armada
Associated Press,
de Madri
A organização separatista basca ETA (Pátria Basca e Liberdade) anunciou ontem o fim de um cessar-fogo iniciado há 14 meses e a retomada da luta armada por um País Basco independente, culpando o governo do primeiro-ministro espanhol José María Aznar pelo fracasso nas negociações de paz.
O grupo exortou seus seguidores a fazer frente ao inimigo e informou que na sexta-feira comunicará aos combatentes as medidas que deverão tomar para continuar a luta contra o poder central. Mais de 750 pessoas morreram na onda de ataques terroristas do ETA nos últimos 30 anos na Espanha.
A ETA atribuiu sua decisão à repressão desencadeada pelos governos espanhol e francês contra seus membros e ao fracasso dos nacionalistas moderados bascos em seus esforços para criar um Estado independente.
Em um tom irado, Aznar acusou o grupo de fazer chantagem terrorista e disse que se engana ao não ouvir o clamor unânime da sociedade em favor da paz. A ETA se equivoca se pensa que com a coação, a chantagem e o terror, vai provocar a fratura da democracia e das libertades de todos, afirmou.
A decisão do grupo surpreendeu e chocou a população do País Basco, que agora teme novos atentados. O comunicado da ETA foi publicado no diário separatista Gara. A grande maioria dos bascos rejeita as táticas violentas da ETA, mas também está frustrada com a recusa do governo espanhol de considerar as reivindicações do movimento nacionalista local, incluindo as dos partidos que rejeitam a violência.
Os partidos políticos oposicionistas criticaram a ETA pelo fim da trégua, mas também atribuíram parte da culpa ao primeiro-ministro. O porta-voz do partido Socialista, Ramon Jauregui, atribuiu à ETA a responsabilizade pelo rompimento do processo de paz, mas também criticou o governo por não ter impulsionado as negociações.
Já o presidente do moderado Partido Nacionalista Basco, Javier Arzalluz, acusou o governo de intransigência justamente num momento em que era hora de agir. Os nacionalistas bascos propuseram como mediadores o ex-chanceler alemão Helmut Kohl ou o ex-presidente americano Jimmy Carter. Aznar recusou a ideía, insistindo que o conflito é assunto interno da Espanha.
Segundo fontes no governo, Aznar não via motivos para fazer concessões porque avalia que o cessar-fogo foi resultado da prisão de vários membros da ETA, que hoje contaria com não mais do que 50 militantes ativos.
Quando a ETA declarou o cessar-fogo em de setembro de 1998, ficou claro que estavam seguindo o exemplo do Exército Republicano Irlandês (IRA), do qual recebeu treinamento nos anos 80. A trégua etarra foi anunciada depois de intensos contatos entre os braços políticos dos dois grupos.
Analistas políticos observam que a autonomia acertada no acordo de paz da Irlanda do Norte (Ulster), província da Grã-Bretanha, implica menos podres para a região do que aqueles já obtidos atualmente pelos bascos. O País Basco tem polícia própria e um Palamento com poder de decidir sobre impostos. Mas a ETA já deixou claro que seu objetivo é a criação de um Estado independente que compreenderia ainda a região sudoeste da França, habitada por bascos. Para isso, exige que seja feito um referendo na região, questão que Aznar considera fora de cogitação.
Nos meios políticos espanhóis especula-se que a ETA talvez tenha como meta prejudicar o Partido Popular (PP), de Aznar, que esperava tirar dividendos da trégua nas eleições gerais de março.Decisão do grupo separatista, anunciada ontem, surpreendeu a população do País Basco, que agora teme novos atentados na Espanha
France PresseCONTRA O TERRORA população foi às ruas protestar contra a decisão da ETA, publicada no diário separatista Gara (destaque)





