Estudo mostra relação da vida na Terra com o aquecimento
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quarta-feira, 14 de maio de 2008
Folhapress 
São Paulo- Enquanto ursos-polares famintos se canibalizam, o período de migração de pássaros se altera e as geleiras derretem em primaveras precoces. Pela primeira vez, um estudo de larga escala estabelece relação de causa e efeito entre o aquecimento global, provocado pelo homem, e esse tipo de modificação em plantas, animais, ecossistemas e oceanos de diferentes partes do mundo.
A pesquisa será divulgada hoje na revista científica britânica ''Nature''. O trabalho reúne um conjunto de aproximadamente 30 mil dados sobre variações biológicas e físicas que, depois, foram combinados a informações de um detalhado banco de dados de mudança de temperatura. Os dados coletados vão do ano de 1970 até 2004.
Todos os continentes têm casos apontados no estudo. Europa e América do Norte, porém, são os que possuem mais destaques no trabalho, já que existe um maior número de pesquisas sobre ecologia nesses territórios.
Sobre a América do Norte, sabe-se que 89 espécies de plantas têm florescido mais cedo em Washington e que ursos-polares no sul do mar de Beaufort, além de estarem em declínio, têm se tornado canibais. Já na Europa, o estudo indica que tem havido mudanças na floração e no desenvolvimento da folhagem em plantas e também alterações nas fases de crescimento de animais num total de 19 países. Na Holanda, por exemplo, foi notada a liberação antecipada de pólen.
A pesquisa foi liderada por Cynthia Rosenzweig, do Instituto Goddard de Pesquisa Espacial, da Nasa, e teve a participação de outros dez pesquisadores. Foram compilados 829 dados físicos e 28.800 informações sobre animais e vegetais. Em cerca de 90% dos casos, as tendências são consistentes com os efeitos previsíveis do aquecimento climático, afirmam os cientistas.
Os resultados reforçam as posições do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas). O painel, composto por cerca de 2.000 cientistas, concluiu no ano passado que o aquecimento é ''inequívoco'' e que a contribuição humana para o aumento da temperatura é ''muito provável''. Há cientistas, porém, que questionam essas conclusões.
Um dos co-autores do estudo, Piotr Tryjanowski -do Departamento de Ecologia Comportamental da Universidade Adam Mickiewicz, na Polônia-ironiza esses céticos. Diz que eles duvidam ''às vezes até do movimento da Terra em torno do Sol''. E afirma que tudo depende ''da perspectiva temporal''.


