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Até crianças participam das manifestações contra o governo indonésioBernard Estrade
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Os estudantes indonésios, aparentemente indiferentes à crescente repressão militar e policial, voltaram às ruas ontem - em Jacarta e em outras cidades do país - com uma nova exigência: que o ex-presidente Suharto seja julgado.
Ontem pela manhã, a onipresença de soldados em roupas de combate, de blindados e caminhões militares mostraram a tensão existente em Jacarta, ainda abalada com a violência do final de semana que causou, segundo o último balanço oficial, 14 mortos civis e 448 feridos.
Por sua vez, a polícia interrogou ontem várias personalidades, professores e ex-generais conhecidos por suas críticas ao regime e suspeitos de atividades subversivas.
Desencadeadas por ordem do presidente Habibie sábado passado, estas ‘‘medidas firmes’’ contra ‘‘grupos subversivos’’ são consideradas pelos críticos do regime como a manifestação da fragilidade do poder.
Na primeira hora da tarde, começaram as primeiras concentrações de manifestantes, que reuniram um total de milhares de pessoas em vários pontos do centro de Jacarta.
Dezenas de estudantes caminharam rumo à residência do ex-presidente Suharto, mas segundo os correspondentes da AFP no local, deram meia volta sem enfrentar as forças de ordem.
Quarenta manifestantes, que afirmavam representar as cinco principais coordenações de estudantes, exigiam que Suharto se entregasse imediatamente.
‘‘Levem Suharto para a Justiça, assim como sua família e cortesãos’’, diziam os manifestantes, acusando o ex-presidente de ser a causa de todos os desastres que afetam a Indonésia.
O enriquecimento do ex-presidente e de sua família, que segundo especulações chega a 40 bilhões de dólares, se tornou a bandeira da oposição pró-democrática, que exige uma verdadeira investigação que as autoridades resistem a empreender.
Os manifestantes pedem também a demissão do comandante-em-chefe do exército, o general Wiranto, a quem responsabilizam, junto a Habibie, da brutalidade das forças militares e policiais.
O presidente H. J. Habibie indicou ontem que ele estaria considerando a hipótese de realizar eleições antes da data estipulada pela Assembléia Consultiva do Povo (ACP), o que atenderia uma das principais demandas apresentadas pelos estudantes em seus protestos.

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