Estudantes mantêm rebelião em Teerã
Christophe de Roquefeuil
France Presse
De Teerã
Teerã viveu ontem seu sexto dia consecutivo de distúrbios, com violentos confrontos entre estudantes e policiais apoiados por milícias islâmicas, apesar da proibição de qualquer tipo de concentração decretada pelas autoridades.
Os choques recomeçaram de manhã em frente à universidade central, para depois se estenderem a outros pontos da cidade e milhares de lojas fecharam por temor aos incidentes.
Dois ônibus foram incendiados enquanto numerosos bancos e escritórios também fecharam no centro da cidade e o transporte público foi suspenso.
As pessoas vivem na miséria, mas os religiosos se comportam como deuses, gritavam os manifestantes jogando pedras na polícia, que respondia disparando granadas de gas lacrimogêneo.
Estou contente com isso, afirmou um funcionário aposentado, solidário com os estudantes.
Milhares de milicianos islâmicos voluntários (bassidjis) foram mobilizados para controlar os agitadores, segundo a terminologia oficial.
Armados com bastões, correntes e às vezes armas automáticas, os milicianos atravessam a capital em pequenos grupos ou em carros ou motos.
Os milicianos respondem aos estudantes que criticam os dirigentes conservadores no poder, lançando-lhes palavras de ordem de apoio ao guia supremo do regime, aiatolá Ali Khamenei.
Grupos de jovens foram encurralados pela polícia e pela milícia na avenida Val-e-Asr, perto da agência oficial Irna, ao norte da universidade.
Segundo testemunhas, a milícia islâmica deteve centenas de pessoas agrupadas em diversos pontos da cidade. Estes manifestantes desafiaram a proibição oficial de qualquer concentração, anunciada anteontem pela polícia, sob pena de enfrentar a justiça.
Nesta terça-feira ainda não havia um balanço dos confrontos.
Segundo as autoridades, desde quinta-feira se registraram dois mortos - um em Teerã e outro em Tabriz (noroeste) - , mas a imprensa fala em pelo menos cinco mortos e dezenas, até centenas, de feridos.
O governo está convocando uma manifestação maciça a seu favor, hoje em frente à universidade.Pelo sexto dia consecutivo os jovens pedem fim do regime fundamentalista. Governo convoca manifestação de apoio para hoje
France PresseXequeOs manifestantes são muito jovens e têm amplo apoio da população iraniana, cansada das restrições impostas pelo regime dos aiatolás





