Estudantes fazem contato com Kosovo
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sexta-feira, 16 de abril de 1999
Luciana Pombo 
Estudantes do 3º ano do ensino médio do Colégio Bom Jesus, em Curitiba, estão preocupados com o sofrimento de diversas famílias que viviam na província sérvia de Kosovo e que tiveram que fugir para países vizinhos como a Macedônia, Albânia e Montenegro. Alguns dos estudantes estão mantendo contatos, através da Internet, com famílias kosovares e propõem a pacificação através da intervenção de um país neutro como o Japão, a Austrália e o próprio Brasil.
Não podemos ficar olhando dezenas de pessoas sendo mortas, sem ao menos saber os motivos da guerra, afirmou a estudante de 17 anos Giuzy de Luca. Ela conseguiu diversos relatos de albaneses que criticam a ação do presidente sérvio Slobodan Milosevic e da própria Otan. É fácil falar de guerras e de conflitos, mas ninguém vê o que as famílias estão sentindo, é desumano, afirma. Giuzy disse que todos se perguntam quando a guerra e todos os conflitos irão acabar. O que a gente pode fazer é tentar mandar mensagens de otimismo, mas na realidade eles querem nos perguntar o porque da intensificação da guerra e quando tudo irá acabar, comenta.
O estudante Gerson Ferreira Filho, de 17 anos, começou a se comunicar com o iugoslavo Cristopher Kadash, de 22 anos, em dezembro do ano passado. Ele conta que os conflitos religiosos apenas estavam começando naquela época. Tempos depois, os depoimentos do amigo virtual começaram a parecer um pedido de socorro. Os iugoslavos estão invadindo cidades, matando a população local, sem restrições, e queimando tudo: bens, moradias, extinguindo os kosovares, conta Kadash numa das mensagens via Internet. Kadash é cristão ortodoxo e, por segurança, resolveu sair da cidade de Nis e foi se refugiar na Albânia. Ele perdeu a avó num ataque na cidade de Belgrado. Conversar com ele sobre toda esta história me deu uma visão diferente da guerra, afirmou Gerson.
O contato dos alunos com outros países é incentivado pelo professor de geografia e geopolítica do Colégio, Vilmar Panka. Todos os relatos trazidos pelos alunos estão sendo analisados por nós em sala de aula, explicou. Segundo ele, a idéia é conhecer a realidade da situação de Kosovo, sem a interferência da mídia.


