Caracas – Estudantes universitários entravam em confronto com a Polícia em Caracas, nesta quinta-feira (4), em uma nova explosão de violência contra o presidente venezuelano Nicolás Maduro. A onda de protestos no país se estende há mais de um mês e já deixou mais de 30 mortos.

O confronto entre os estudantes e os policiais começaram quando os agentes anti-distúrbios impediram uma marcha de centenas de alunos da Universidade Central da Venezuela (UCV) lançando bombas de gás lacrimogêneo, ação respondida por um grupo de jovens encapuzados com pedras e coquetéis molotov.

"Somos estudantes, não somos terroristas", gritavam os estudantes aos policiais que bloquearam uma das principais entradas à universidade com caminhões blindados. Os estudantes, os mais combativos nas marchas, realizaram assembleias na UCV e em outras universidades em diferentes pontos de Caracas, assim como em outras cidades do país, e depois saíram às ruas para rechaçar a Assembleia Nacional Constituinte convocada por Maduro, e para exigir sua saída do poder.

Um grupo chegou à Conferência Episcopal Venezuelana, no oeste de Caracas, onde entregou uma mensagem à Igreja e ao papa Francisco, que expressou sua preocupação com a violência. "Uma mensagem ao papa: estão nos matando, é uma ditadura. Que a Igreja se junte às mobilizações", revelou Santiago Acosta, da Universidade Católica Andrés Bello, ao entregar a carta.

O protesto estudantil ocorre após um dia de grandes confusões em manifestações contra a Constituinte. Um jovem de 18 anos morreu na parte leste da capital, e um policial faleceu em uma manifestação no estado de Carabobo.

Em Anzoategui, norte do país, o líder estudantil José López Manjares, de 33 anos, foi morto a tiros enquanto participava de uma assembleia na universidade em que estudava, segundo o Ministério Público (MP), sem especificar se a vítima participava dos protestos da oposição. López era presidente da Federação de Centros Universitários da Universidade Territorial José Antonio Anzoátegui. No ato ficaram feridas outras três pessoas, segundo o Ministério Público. Autoridades tentavam identificar os autores do crime e a motivação. Segundo versões publicadas na imprensa, López organizava uma manifestação durante a assembleia. Se a participação dele nos protestos for confirmada, o número de mortos nas manifestações na Venezuela subiria para 34.

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