O governo do presidente das Filipinas, Joseph Estrada, estava a ponto de cair ontem após a demissão de praticamente todo seu gabinete, da retirada de apoio dos militares e do ultimato dado pela oposição para que ele apresentasse sua renúncia. Mas o presidente, de 63 anos, ex-ator de cinema, rejeitou os pedidos de renúncia e exortou o Congresso a convocar eleições presidenciais antecipadas para maio, quando deve ser renovada metade das cadeiras do Senado e da Câmara de Representantes. Estrada anunciou que não se candidatará. Contudo, a oposição – instigada pelas manifestações em massa nas ruas contra o presidente – rejeitou imediatamente sua oferta e assegurou que sua renúncia era inegociável.
‘‘Rejeitamos de forma veemente a oferta do presidente Estrada de convocar eleições antecipadas por falta de fundamentos constitucionais’’, afirmou a vice-presidente Gloria Macapagal Arroyo, sua sucessora segundo a Constituição e líder da oposição. Arroyo, de 53 anos, deu um ultimato a Estrada até as 6 horas da manhã de hoje para renunciar.
Um porta-voz da oposição filipina disse que Estrada, cujo processo de impeachment foi causado por acusações de que ele recebeu subornos do jogo ilegal e da indústria do tabaco, levou a uma crise política, estava buscando um ‘‘perdão’’ por meio de uma transição de governo.
A campanha contra Estrada intensificou-se na semana passada, depois que seu processo de destituição foi interrompido pela renúncia de 11 promotores em protesto contra a decisão do Senado de não incluir no caso peças que, segundo a acusação, provariam a culpa do presidente.
O general Angelo Reyes, chefe do Estado-Maior do Exército, apareceu ontem entre centenas de milhares de manifestantes que pediam a renúncia de Estrada diante de um monumento em homenagem à rebelião que derrubou, em 1986, o falecido ditador Ferdinand Marcos.
Quatro blindados do Exército entraram ontem nos jardins do palácio presidencial, aparentemente para reforçar a proteção do presidente, e um avião estaria preparado, segundo uma rádio de Manila, para levar Estrada e a família para fora do país, provavelmente aos Estados Unidos, onde, segundo versões não confirmadas, ele poderia pedir asilo político.
Apesar do panorama, o porta-voz presidencial insistiu em assegurar que Estrada não renunciará porque tem ‘‘o poder do povo’’.

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