Paris - Reencontrar o prazer de tocar piano ou de simplesmente voltar a dar suas caminhadas são alguns dos benefícios que o tratamento com estimulação cerebral vem trazendo às vítimas do Mal de Parkinson no mundo inteiro.
Aplicado em cerca de 30 mil pacientes desde 1995, 15 mil deles na Europa e dois mil só na França, segundo declarações de especialistas durante o VIII Congresso da Federação Européia de Sociedades de Neurologia (EFNS), que acontece em Paris até quinta-feira, a terapia pode beneficiar um número de pessoas muito maior, algo em torno de 250 mil.
Calcula-se que o Mal de Parkinson afete 1,5 milhão de pessoas na Europa, com 150 mil novos casos diagnosticados a cada ano, em geral acima dos 60 anos, mas cerca de 10% são registrados antes dos 40 anos.
Desenvolvido na França, em Grenoble, pela equipe do professor Alim-Louis Benabid, o procedimento consiste na transmissão de impulso em alta frequência por intermédio de eletrodos implantados em uma área do cérebro (sistema nervoso central) associada aos movimentos. O neuroestimulador que gera impulsos elétricos é implantado sobre a pele (como um estimulador cardíaco), no peito.
Um ex-professor de música, ao fazer um pequeno recital de piano durante o congresso, testemunha a melhora que o dispositivo de estimulação cerebral pode trazer, comercializado com o nome de Kinetra pela empresa Medtronic.
Apesar disso, a terapia atinge apenas uma pequena parte dos portadores do Mal de Parkinson, entre 5 e 10%, segundo os neurologistas. É indicada geralmente para pacientes com menos de 60 anos. ''A demência e problemas psiquiátricos são as contra-indicações'', acrescenta o professor Yves Agid (Pitié-Salpétrière, Paris).
Aos 60 anos, sobre estimulação cerebral desde 2003, Luitgard Treml-Lenz reencontrou o prazer de tocar piano e de andar de bicicleta. Ela supera gradativamente a dificuldade para desempenhar atividades cotidianas (comer, se vestir). Com o avanço da doença, diagnosticada em 1984, ela se aposentou em 1992. ''Eu tinha parado de ir ao supermercado, pois não conseguia nem mesmo pegar o dinheiro da bolsa'', conta.

mockup