Estatuto autônomo recebe apoio em massa na Bolívia
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domingo, 04 de maio de 2008
France Presse 
Santa Cruz - A maioria dos eleitores da próspera região de Santa Cruz apoiou o Sim à criação do primeiro governo autônomo da Bolívia, num polêmico referendo realizado ontem, segundo as primeiras pesquisas de boca-de-urna divulgadas por uma rede de TV local. O índice ficou em 85,9%.
O referendo organizado pela região mais rica da Bolívia em desafio ao presidente socialista Evo Morales provocou uma onda de violência que deixou pelo menos 28 feridos. Partidários de Morales, que denunciaram uma ação ''separatista'', tentaram impedir pela força a realização do plebiscito, queimando urnas e cédulas de voto.
O referendo é crucial para o governo boliviano já que Santa Cruz concentra a maior parte dos campos de gás, a principal fonte de riqueza deste país de nove milhões de habitantes, o mais pobre da América do Sul.
Feudo da oposição liberal, a região dominada pelos latifundiários contesta a nova Constituição defendida por Morales, que prevê a redistribuição das terras e dos recursos do gás.
Os confrontos mais violentos aconteceram no bairro pobre de Plan 3000, na periferia da capital regional Santa Cruz, onde vive uma importante comunidade indígena que apóia o chefe de Estado, o primeiro presidente indígena da Bolívia.
Urnas e cédulas de voto foram queimadas neste bairro de 250 mil habitantes, onde manifestantes tentaram, sem sucesso, invadir um centro de votação. De acordo com uma fonte médica, um homem de 70 anos que assistia aos confrontos morreu asfixiado por gases lacrimogêneos.
O Ministro de Governo (Interior), Alfredo Rada, considerou que fracassou o referendo sobre a autonomia ''porque simplesmente levou à divisão do próprio povo do departamento''.
Várias centenas de policiais nacionais foram enviadas a Santa Cruz, onde cerca de mil agentes municipais desarmados ficaram encarregados de garantir a segurança nos centros de votação, abertos das 8h às 16h locais (9h às 17h de Brasília).
O poder central de La Paz se recusa a conceder qualquer valor jurídico ao referendo. Declarado inconstitucional pelo Tribunal Nacional Eleitoral, o referendo foi validado pela Corte eleitoral regional de Santa Cruz.


