Estatais servem para aplacar fome de cargos
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sábado, 15 de fevereiro de 2003
Agência Estado 
Brasília- O governo de Luiz Inácio Lula da Silva reservou as empresas estatais para saciar a fome de cargos dos partidos aliados e do próprio PT. Lula já preencheu as diretorias das maiores estatais, mas ainda tem muitos vagas de presidências, vices, e diretorias à sua disposição e de quem se candidatar a colaborar com seu governo. Nas próximas semanas, por exemplo, começarão a ser trocados os comandos das companhias docas dos Estados.
A Docas de São Paulo (Codesp), a maior do País, que administra o Porto de Santos, sai das mãos dos aliados do presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), e passa para a influência do presidente nacional do PL, deputado Valdemar Costa Neto (SP), com a indicação de José Carlos Melo Rego para o lugar de Fernando Lima Barbosa Viana. É um cargo estratégico, especialmente reservado para o aliado que forneceu o ex-senador José Alencar para a vice de Lula.
Assim como na composição do Ministério, em que o PT ficou com a maioria dos cargos, nas estatais ocorre o mesmo. A presidência da maior delas, a Petrobrás, foi entregue ao ex-senador José Eduardo Dutra, candidato petista derrotado ao governo de Sergipe. Para a diretoria de Comunicação Institucional da Petrobrás, Dutra escolheu Wilson Santarosa, indicado pelo PT de São Paulo, que vai gerenciar uma verba anual de R$ 350 milhões - recurso que poderá dobrar caso sejam unificadas as verbas da BR Distribuidora e da Petrobrás argentina.
Santarosa pertence à corrente Articulação Unidade na Luta, a mesma do ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, e do presidente da República.
O PT do Paraná esperneou muito depois de se ver totalmente alijado de cargos no Ministério. Para acabar com o descontentamento e com as reclamações do partido que se apresentava como vencedor, enquanto o derrotato PT do Rio Grande do Sul conseguia meia dúzia de ministérios, o presidente Lula escolheu Jorge Samek (que teve de renunciar ao mandato de deputado antes mesmo de tomar posse) para a presidência da Itaipu Binacional, outra estatal gigante. Edésio Passos, petista que concorreu ao Senado, foi acomodado na diretoria da Itaipu. O ex-deputado Nelton Friedrich, do PDT, derrotado na eleição passada, foi escolhido diretor de coordenação da estatal.
O governo do PT não se esqueceu do amigo Itamar Franco, que teve participação decisiva no voto dos mineiros para a eleição de Lula. A presidência de Furnas, empresa pela qual Itamar chegou a dizer que pegaria em armas para impedir a privatização, foi entregue José Pedro Rodrigues de Oliveira, ex-chefe de gabinete do ex-governador, que também conseguiu um cargo: o de embaixador do Brasil na Itália.


