Estados Unidos podem vetar resolução sobre muro
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sábado, 11 de outubro de 2003
Agência Folha 
Nova York - A Casa Branca ''não apóia em geral a idéia de novas resoluções sobre o conflito israelo-palestino, e creio que isso também se aplica no caso de um projeto de resolução sobre o 'muro de separação' erguido por Israel na Cisjordânia, disse hoje o porta-voz do Departamento de Estado americano, Richard Boucher.
O Conselho de Segurança das Nações Unidas decidiu, em um debate a portas fechadas, realizar na terça-feira uma sessão pública sobre o ''muro de separação' construído por Israel na Cisjordânia, segundo informações de diplomatas.
A Síria, membro do Conselho de Segurança que costuma apresentar projetos de resolução defendidos por países árabes e pela Autoridade Nacional Palestina (ANP), propôs uma resolução condenando o ''muro de separação''.
Os Estados Unidos, que usaram seu poder de veto na votação de projetos de resolução anteriores sobre Israel, qualificaram ontem de ''parcial'' o texto do projeto de resolução sobre o ''muro de separação'', debatido na reunião do Conselho de Segurança.
''A resolução é parcial'', declarou Boucher. O texto ''não tem um bom enfoque'' porque antepõe ''considerações jurídicas'', acrescentou. ''Apresentar nas Nações Unidas um elemento da situação separadamente do resto, em particular dos graves atentados terroristas contra Israel, não nos parece que vá ajudar a fazer avançar o processo'' de paz, afirmou.
''Expressamos nossas sérias preocupações'' sobre esta questão durante as discussões de hoje (ontem) na ONU, disse Boucher.
Boucher também reiterou as preocupações dos Estados Unidos em relação ao ''muro de separação'', não tanto pela legalidade da iniciativa, mas pelos ''efeitos sobre o processo de paz'' entre israelenses e palestinos.
Os israelenses começaram a construir, em junho de 2002, entre Israel e a Cisjordânia, um ''muro de separação'' destinado a impedir ataques palestinos.
A construção do ''muro de separação'' foi requisitada pela direita e esquerda israelenses, após a onda de atentados suicidas que atingiu Israel desde o início da segunda Intifada (revolta palestina contra a ocupação israelense) no final de setembro de 2000.
A idéia de construir um muro surgiu após o fracasso da Conferência de Camp David sobre o conflito israelo-palestino, em julho de 2000. A construção suscitou, desde o início, tensões políticas internas e muitas críticas palestinas e da comunidade internacional.
O primeiro trecho da obra, com 147 km de extensão, foi concluído no dia 1º de agosto.
Com extensão prevista de 350 km, o ''muro de separação'' deve cobrir do norte ao sul a ''linha verde'' e englobar também o setor oriental de Jerusalém, anexado por Israel desde 1967, e onde os palestinos pretendem construir um dia a capital do seu Estado.
O complexo defensivo deve ser alto em alguns pontos e ainda terá dispositivos eletrônicos capazes de detectar infiltrações, fossas antitanques e pontos de observação e patrulha.


