Estados Unidos e Rússia selam pacto
PUBLICAÇÃO
domingo, 04 de junho de 2000
France Presse De Moscou 
Os presidentes dos EUA, Bill Clinton, e da Rússia, Vladimir Putin, assinaram ontem, em Moscou, dois acordos para a destruição de uma parte das suas reservas de plutônio de uso militar e para o estabelecimento de um centro conjunto de alerta de lançamento de mísseis.
Os dois presidentes assinaram também um documento sobre a estabilidade estratégica, que prevê a intensificação das discussões sobre o tratado Start III e proclama seu compromisso com o tratado antimísseis ABM, pedra angular da estabilidade estratégica.
O primeiro acordo prevê que Estados Unidos e Rússia destruam, cada um, 34 toneladas de suas reservas de plutônio de uso militar, quantidade que corresponde a milhares de bombas nucleares.
Esta operação será longa e cara, precisaram os especialistas: levará 20 anos e representará um gasto de 1,7 bilhão de dólares para a Rússia e 4 bilhões de dólares para os Estados Unidos, país que pedirá aos seus sócios no G-8 (durante a reunião de cúpula de Okinawa, no Japão, mês que vem) que ajudem financeiramente Moscou, para que a Rússia possa construir as instalações necessárias para a operação, informaram fontes americanas.
No caso da Rússia, o plutônio será transformado em combustível nuclear, sob uma intensa supervisão. Uma vez usado como combustível, o plutônio não poderá voltar a ser utilizado militarmente.
O segundo acordo permitirá que os dois países façam um intercâmbio, em tempo real, de dados técnicos sobre os lançamentos de mísseis disparados de seus respectivos territórios ou que estejam dirigidos contra eles. Estados Unidos e Rússia, no entanto, não deverão compartir informações sobre mísseis de terceiros países disparados contra terceiros alvos.
O centro de alerta será instalado na capital russa e deve começar a funcionar no fim de 2001. Ali, trabalharão permanentemente 33 especialistas (16 americanos e 17 russos).
Em uma entrevista coletiva à imprensa, Putin informou que Moscou e Washington tinham um ponto de vista comum sobre as novas ameaças na área estratégica, mas rechaçou implicitamente o sistema de defesa antimísseis proposto pelos Estados Unidos, o NMD. Nos opomos a um remédio que seria pior do que a doença, acrescentou, referindo-se ao sistema.
Clinton havia indicado, um pouco antes, que os dois países não haviam chegado a um acordo sobre a forma como enfrentarão as ameaças estratégicas procedentes de novas potências nucleares.
Putin se disse satisfeito com a reunião de cúpula e destacou os esforços de ambas as partes, que permitiram sair com honra da crise. O presidente sustentou ainda que a Rússia prosseguirá com firmeza as reformas econômicas.


