O INS (sigla em inglês para Serviço de Imigração e Naturalização, órgão do Departamento de Justiça) informou ontem que 71 brasileiros foram deportados dos EUA no primeiro trimestre do ano fiscal de 1999 (para efeitos da administração americana, iniciado em outubro do ano passado).
O número é recorde. O mais alto até então fora de 46, em 1997. Mesmo assim, aquela foi uma ocorrência atípica, resultante das novas leis imigratórias que haviam entrado em vigor no ano anterior.
A atual leva de expulsões reflete um foco na comunidade brasileira e aumento na fiscalização - em 1998, o Congresso autorizou o Departamento de Justiça a contratar mais agentes para o INS.
Os resultados já estão aparecendo. Em janeiro, numa blitz na loja Berta Brasil, na Rua 46, a fiscalização prendeu seis brasileiros ilegais, além de multar a empresa. Os fiscais investigaram a loja por denúncias de concorrentes. Os detidos ainda estão aguardando deportação - não fazem parte do grupo de 71.
A presença brasileira é pequena no contexto americano.
O país não está entre os 20 maiores em número de imigrantes. Mas, agora, dotado de mais agentes e recursos, o INS está aumentando a vigilância da comunidade em Boston, Nova York e Flórida. Calcula-se que 540 mil brasileiros vivam na Costa Leste, a maioria em situação irregular.
Lideranças da comunidade estão levando aos consulados queixas de casos em que brasileiros ilegais, mas com possibilidade de regularização, ou condenados por pequenas infrações, como acidentes de trânsito, estão sendo detidos por fiscais e remetidos para prisões comuns, a espera de deportação. Os consulados nada podem fazer.
O mineiro João Capela, de 35 anos, operário numa fábrica de aviões, em Amarillo, no Texas, foi detido ao cruzar um sinal vermelho, no mês passado. ‘‘Dias depois, a polícia veio atrás de mim, no serviço’’, contou Capela, que agora se encontra na cadeia de Ottisville, em Nova York, esperando a deportação.

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