Estado judeu completa meio século
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sábado, 29 de novembro de 1997
France Presse Jerusalém 
No aniversário de 50 anos da criação pelas Nações Unidas de um Estado judeu, a esperança de uma coexistência harmoniosa parece ainda tão vaga quanto naquele dia 29 de novembro de 1947 e o abismo que separa israelenses e árabes se aprofunda cada vez mais.
A decisão da ONU na ocasião implicava a divisão da Palestina sob mandato britânico em dois Estados soberanos: um judeu, que seis meses depois seria efetivado, e um Estado árabe, que, ao final de 50 anos, ainda não existe. A resolução 181 da Assembléia Geral das Nações Unidas foi acolhida com entusiasmo pelos judeus e com consternação pelos palestinos e os Estados árabes. Nas ruas de Tel Aviv, a população judia festejou a noite toda, enquanto as rádios transmitiam a histórica votação da ONU. Arrasados, os palestinos dariam início, no dia seguinte, às violências que desencadeariam a guerra.
Cinquenta anos mais tarde, os palestinos estão resignados com a existência de Israel, mas reclamam ainda a divisão: de fato, Israel ocupa todo o território da antiga Palestina sob mandato britânico entre o Mediterrâneo e o Jordão, e se opõe à constituição de um Estado palestino a seu lado. A ONU, que desempenhou um papel decisivo na criação do Estado judeu, multiplica em vão as resoluções condenando a política israelense de ocupação.
O governo israelense de direita de Benjamin Netanyahu decidiu celebrar discretamente a data da resolução da ONU, reservando a festa para o mês de maio, quando forem completados os 50 anos da instalação do Estado hebreu.
O ministério das Relações Exteriores receberá os embaixadores dos países que votaram em favor da resolução das Nações Unidas e a prefeitura de Tel Aviv organiza uma festa hoje à noite. Esta semana, Netanyahu explicou que os israelenses não têm por que aplicar agora, com 50 anos de atraso, uma resolução que os árabes rejeitaram na ocasião. A resolução recomendava a criação de dois Estados independentes, árabe e judeu e um estatuto especial internacional para Jerusalém sob a supervisão da ONU.


