Islamabad - O presidente Pervez Musharraf demonstra seu apego ao poder no Paquistão com a ordem de detenção de centenas de opositores com base em um estado de exceção, decretado sábado, que deixou o país sem Constituição e possivelmente sem eleições legislativas em janeiro de 2008.
O governo paquistanês afirmou que a data das eleições legislativas pode ser modificada. O primeiro-ministro paquistanês, Shaukat Aziz, afirmou que o Parlamento pode adiar as eleições em um ano, mas acrescentou que o governo ainda não tomou uma decisão a respeito.
''Pode acontecer algum atraso no calendário das eleições, mas ainda não tomamos uma decisão'', afirmou Aziz. ''Estamos discutindo. Sob o estado de exceção, o Parlamento pode levar um ano'', acrescentou.
As eleições, com voto universal, para designar o Parlamento e renovar as assembléias provinciais, restabeleceriam a democracia no país. No entanto, Musharraf suspendeu a Constituição e calou os meios de comunicação com uma série de restrições.
Em um discurso à nação, o general disse que não poderia permitir o suicídio do país. Também pediu o apoio dos aliados, especialmente dos Estados Unidos, seu grande aliado na luta antiterrorista.
Porém, a secretária de Estado americana, Condolezza Rice, advertiu que seu país pode ser obrigado a ''reexaminar a ajuda'' bilateral, o que não afetaria a parte destinada à luta contra o terrorismo.
As forças de segurança permanecem mobilizadas ao redor dos principais edifícios oficiais, em Islamabad, e várias figuras importantes da oposição foram detidas. Os meios de comunicação paquistaneses condenaram o estado de exceção.
O jornal em língua inglesa Dawn teve como manchete neste domingo ''O segundo golpe de Estado de Musharraf''. O general aplicou um golpe sem violência em outubro de 1999 para chegar ao poder.
''Voltamos ao ponto de partida, a 12 de outubro de 1999. Todos os progressos obtidos nos últimos anos se evaporaram'', destaca o jornal criado por Mohammad Ali Jinnah, o fundador do Paquistão, país que é uma potência nuclear de 160 milhões de habitantes, a maioria muçulmanos.
O premier Aziz informou que de 400 a 500 pessoas, incluindo muitas lideranças da oposição, foram detidas de forma preventiva no país após a entrada em vigor do estado de exceção.
Imran Khan, ex-estrela do críquete e que se tornou um dos principais opositores de Musharraf, está em prisão domiciliar, assim como foram detidas líderes e figuras importantes da oposição, militantes dos direitos humanos e advogados ligados a Iftikhar Mohammed Chaudhry, o ex-presidente do Supremo
Chaudhry, que presidia desde 2005 a Suprema Corte, era uma pedra no sapato do regime de Musharraf, o que acabou custando o cargo quando foram decretadas as medidas de urgência. Javed Hashmi, dirigente do partido do ex-premier Nawaz Sharif, também foi detido ontem.
A ex-primeira-ministra paquistanesa Benazir Bhutto, que negociou nos últimos meses com Musharraf uma divisão do poder, retornou sábado a Karachi, procedente de Dubai. Bhutto denunciou o retorno a um regime ''ditatorial'' e disse que o país está à beira da desestabilização.

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