Uncas Fernández
France Presse
De Montevidéu
Pela primeira vez a esquerda, coligada no Encontro Progressista-Frente Ampla (EP-FA), com a liderança de Tabaré Vázquez alcançará – segundo as pesquisas – uma maioria nacional (por volta de 40%) nas eleições presidenciais e parlamentares deste domingo no Uruguai.
O EP-FA (socialistas, comunistas, ex-guerrilheiros, democrata-cristãos, radicais, moderados e dissidentes de partidos tradicionais) ficará com a maior bancada legislativa (com cerca de 40% de 130 cadeiras), mas deverá se submeter a um segundo turno no dia 28 de novembro, para chegar ao governo nacional.
Vázquez, certamente finalista para o segundo turno eleitoral, tem sido a esperança da esquerda desde 1989, quando levou a Frente Ampla a sua primeira vitória no país ao conquistar naquele ano a prefeitura de Montevidéu, que governou de 1990 a 1995 e deixou nas mãos de outro da esquerda, o atual prefeito Mariano Arana.
A dois dias das eleições, as últimas pesquisas das intenções de voto davam a Vázquez, um médico oncologista de 59 anos, entre 36% e 38% de apoio, enquanto que projeções de sociólogos indicavam que o líder esquerdista chegaria a 40%, ou mais, de adesões, com os votos de parte dos ainda indecisos.
O segundo nas preferências é o senador Jorge Batlle, 72 anos, do oficialista Partido Colorado (centro-direita), com um apoio que variava quinta-feira entre 26% e 28%, e que se projetaria a 31%.
Em terceiro lugar estava o ex-presidente (1990-95) Luis Lacalle, 58 anos, do Partido Nacional (centro-direita) com 22%-23% (que chegaria 25%), em quarto o senador Rafael Michelini, 41 anos, do Novo Espaço (centro-esquerda), com 5% (e idênticas projeções) e último, Luis Pieri, 58 anos, da União Cívica (centro), mencionado somente uma pesquisa (Fáctum) com 0,2%.
Para chegar a esta realidade, o EP-FA prcisou lutar contra os fantasmas – agitados em cada eleição - da origem marxista-leninista ds maioria dos dirigentes de seus inícios, da participação de ex-guerrilheiros em suas fileiras, e de sua inexperiência em temas econômicos. A gestão esquerdista em Montevidéu, sem o caos que antecipavam seus rivais, o desejo de mudança depois de sucessivos governos tradicionais, e a intenção de dar oportunidade a uma força diferente, afugentaram o temor, incentivado pelo governo.
Desde 1971, quando foi fundada a Frente Ampla, a esquerda cresceu eleitoralmente de forma progressiva, de 18,23% esse ano, a 21,26% em 1984 (na volta da ditadura depois de uma ditadura militar de 12 anos, a 22,3% em 1989 e a 30,61% em 1994.
As intenções de votos antecipam, segundo a nova legislação, que será obrigatório o segundo turno de 28 de novembro para eleger o próximo presidente, pois nenhum dos candidados conseguirá mais de 50% dos votos. Dos 3,2 milhões de habitantes do país, estão habilitados 2,4 milhões de cidadãos.
Vázquez propõe uma ‘‘mudança à uruguaia’’, manter o equilíbrio fiscal e a estabilidade monetária e de preços alcançada no atual governo, maior proteção à produção, queda do desemprego, e propostas de modificações no Mercosul.

mockup