Apesar da forte campanha de seu oponente Silvio Berlusconi, Francesco Rutelli afirmou ontem que está confiante em sua vitória nas eleições parlamentares de domingo. ‘‘Estou sereno e confiante’’, afirmou Rutelli, líder da centro-esquerda, durante uma entrevista televisiva. ‘‘E chego ao fim de uma difícil campanha eleitoral, na qual todos disseram que nós perderíamos, confiante de que nós venceremos’’, concluiu.
Rutelli, de 46 anos, aproveitou a entrevista, dada ao TG5, um canal da Mediaset, de propriedade do magnata da mídia Berlusconi, para criticar duramente a plataforma fiscal de seu rival conservador, afirmando que o que a Itália precisa agora é da continuidade de sua atual política econômica – não de uma virada ‘‘aventureira’’ em outra direção.
Rutelli, ex-prefeito de Roma, afirmou que o corte de impostos proposto por Berlusconi seria uma imprudência fiscal e poderia arriscar a permanência da Itália como membro do clube da moeda comum européia, o euro.
Berlusconi publicou sua plataforma fiscal na segunda-feira em seu site na Internet – mas ontem o Tesouro italiano o acusou de distorcer indicadores econômicos entre 1996 e 2000, anos em que a centro-esquerda esteve no poder.
Rutelli vem jogando o foco de sua campanha em sua plataforma política, embora tenha tirado vantagem das questões sobre jogos de interesse levantadas sobre Berlusconi nos últimos dias que antecedem as eleições. Berlusconi, de 64 anos, é um dos homens mais ricos da Itália, com um império avaliado em cerca de US$ 12 bilhões. Este império inclui o Mediaset, a principal rede de televisão da Itália. Como premier, ele também teria o controle da televisão estatal.
Ontem, Umberto Eco, um dos mais respeitados escritores italianos, conclamou a população a tratar as eleições como um ‘‘referendo moral’’ e votar contra Berlusconi, afirmando que sua vitória poderia criar uma autocracia ‘‘de fato’’ que ameaçaria a democracia.
BerlusconiA quatro dias das eleições gerais italianas, o líder das pesquisas de opinião, o magnata Silvio Berlusconi, declarou que não tem nenhuma intenção de se desfazer de seu império das comunicações.
A Fininvest, holding do magnata, detém 48,3% das ações do grupo Mediaset – que controla as três principais redes privadas de TV do país –, o complexo editorial Mondadori, o Banco Mediolanum, empresas de seguro, a distribuidora e produtora de filmes Medusa, o clube de futebol Milan, sites na Internet e a rede de lojas de vídeo Blockbuster Itália.
Segundo a legislação italiana, nenhum cidadão pode controlar a maioria dos meios de comunicação do país. Berlusconi, que parecia incliado a vender seus canais de TV, voltou atrás. ‘‘Vou resolver esse problema após a eleição, com a elaboração de uma nova lei’’, disse ele, certo da vitória.

mockup