Quarenta milhões de eleitores e alguns milhares de residentes europeus estão sendo mobilizados para o primeiro turno das eleições municipais de hoje na França, cujo objetivo é a escolha de prefeitos em 36.565 municípios do país, incluindo a capital, e cerca de 500 mil conselheiros municipais (vereadores), para um mandato de seis anos de duração. Essa eleição está sendo considerada uma avant-premiSre de dois outros pleitos fundamentais para o controle do poder no país, as eleições presidenciais e legislativas marcadas para maio e junho de 2002. A eleição servirá também para a renovação dos conselhos de metade dos cantões franceses.
Paris é uma cidade de 2.152 milhões de habitantes (intramuros) e sua prefeitura movimenta um orçamento de 33 bilhões de francos (US$ 4,7 bilhões), contando com 44 mil funcionários, 60% dos postos ocupados por operários e pessoal de serviço.
O que mais chama atenção nesse pleito é a eleição dos conselheiros e do prefeito de Paris, diante da expectativa de uma vitória da esquerda, que pela primeira vez aspira conquistar a prefeitura da capital desde que foi afastada nos tempos da comuna – fato político de importância que está sendo interpretado com ‘‘uma pequena revolução’’. Paris tem sido um feudo do partido gaullista, o Reunião Pela República (RPR), desde 1977.
O candidato favorito das pesquisas é o socialista Bertrand Delanoe, um antigo vereador e senador por Paris, um político que nunca teve grande expressão no plano político nacional, sempre voltado para os problemas municipais. Delanoe, se eleito, será também o primeiro prefeito gay de Paris, pois desde 1996 assumiu publicamente sua homossexualidade. Essa revelação, entretanto, não parece ter influenciado em qualquer sentido, a favor ou contra, o eleitorado parisiense.
O candidato socialista é apoiado pela esquerda plural, uma coligação de partidos que participa do governo de Lionel Jospin, constituída também pelos comunistas, radicais de esquerda e verdes – apesar de esses últimos apresentarem um candidato no primeiro turno, Yves Contassot.
Seu principal adversário é Philippe Séguin, candidato do RPR gaullista, ex-ministro e antigo presidente da Assembléia Nacional, apoiado também pelos centristas e liberais da UDF e Democracia Liberal.
Institutos de pesquisas como o Ifop, o Sofres e outros anunciam a vitória da esquerda na capital e uma certa estabilidade no resto do país. A coligação deverá reunir o maior número dos 163 conselheiros de Paris, que formam o colégio que deverá eleger o prefeito na primeira reunião do Conselho, prevista para o dia 25.
Se em Paris e também em Lyon a coalizão de esquerda surge, pela primeira vez, em condições de conquistar a vitória, no resto do país acredita-se que poderá se repetir o que ocorreu no pleito anterior, o de 1995, quando se constatou um certo equilíbrio na correlação de forças entre esquerda e direita. Na época, logo após a eleição presidencial, verificou-se uma abstenção recorde, 30,8%.

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