Esquerda deve vencer eleição em Paris
PUBLICAÇÃO
sábado, 10 de março de 2001
Agência Estado De Paris 
Quarenta milhões de eleitores e alguns milhares de residentes europeus estão sendo mobilizados para o primeiro turno das eleições municipais de hoje na França, cujo objetivo é a escolha de prefeitos em 36.565 municípios do país, incluindo a capital, e cerca de 500 mil conselheiros municipais (vereadores), para um mandato de seis anos de duração. Essa eleição está sendo considerada uma avant-premiSre de dois outros pleitos fundamentais para o controle do poder no país, as eleições presidenciais e legislativas marcadas para maio e junho de 2002. A eleição servirá também para a renovação dos conselhos de metade dos cantões franceses.
Paris é uma cidade de 2.152 milhões de habitantes (intramuros) e sua prefeitura movimenta um orçamento de 33 bilhões de francos (US$ 4,7 bilhões), contando com 44 mil funcionários, 60% dos postos ocupados por operários e pessoal de serviço.
O que mais chama atenção nesse pleito é a eleição dos conselheiros e do prefeito de Paris, diante da expectativa de uma vitória da esquerda, que pela primeira vez aspira conquistar a prefeitura da capital desde que foi afastada nos tempos da comuna fato político de importância que está sendo interpretado com uma pequena revolução. Paris tem sido um feudo do partido gaullista, o Reunião Pela República (RPR), desde 1977.
O candidato favorito das pesquisas é o socialista Bertrand Delanoe, um antigo vereador e senador por Paris, um político que nunca teve grande expressão no plano político nacional, sempre voltado para os problemas municipais. Delanoe, se eleito, será também o primeiro prefeito gay de Paris, pois desde 1996 assumiu publicamente sua homossexualidade. Essa revelação, entretanto, não parece ter influenciado em qualquer sentido, a favor ou contra, o eleitorado parisiense.
O candidato socialista é apoiado pela esquerda plural, uma coligação de partidos que participa do governo de Lionel Jospin, constituída também pelos comunistas, radicais de esquerda e verdes apesar de esses últimos apresentarem um candidato no primeiro turno, Yves Contassot.
Seu principal adversário é Philippe Séguin, candidato do RPR gaullista, ex-ministro e antigo presidente da Assembléia Nacional, apoiado também pelos centristas e liberais da UDF e Democracia Liberal.
Institutos de pesquisas como o Ifop, o Sofres e outros anunciam a vitória da esquerda na capital e uma certa estabilidade no resto do país. A coligação deverá reunir o maior número dos 163 conselheiros de Paris, que formam o colégio que deverá eleger o prefeito na primeira reunião do Conselho, prevista para o dia 25.
Se em Paris e também em Lyon a coalizão de esquerda surge, pela primeira vez, em condições de conquistar a vitória, no resto do país acredita-se que poderá se repetir o que ocorreu no pleito anterior, o de 1995, quando se constatou um certo equilíbrio na correlação de forças entre esquerda e direita. Na época, logo após a eleição presidencial, verificou-se uma abstenção recorde, 30,8%.


