Espionagem sobre a China não vai parar
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quinta-feira, 12 de abril de 2001
Associated Press De Washington 
O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, ficou satisfeito com o retorno ao país da tripulação de um avião de espionagem norte-americano, ontem, e insistiu que os EUA não fizeram nada para causar o acidente que levou a um impasse de 11 dias com a China.
Enquanto isso, os Estados Unidos planejam lançar em breve uma nova missão com um avião de espionagem nas proximidades da costa da China, informaram, sob condição de anonimato, fontes militares norte-americanas vinculadas à operação.
O plano confirma a intenção de Washington manifestada nos últimos dois dias pelo vice-presidente Dick Cheney e pela conselheira de Segurança Nacional da Casa Branca, Condoleezza Rice de não dar atenção à reivindicação do governo chinês para que militares norte-americanos suspendam os vôos de reconhecimento próximos ao espaço aéreo da China.
O incidente abriu uma crise nas relações entre Estados Unidos e China, resolvida depois de Pequim ter interpretado como um pedido de desculpas um pronunciamento no qual Bush, declarou sentir muito (very sorry) pelo desaparecimento do piloto do caça e pelo fato de o EP-3 ter sido forçado a aterrissar em Hainan sem a prévia autorização das autoridades chinesas.
Num discurso de boas-vindas aos norte-americanos libertados, lido na Casa Branca, Bush manteve a posição de linha-dura contra a China.
Os tripulantes chegaram ontem a uma base militar no Havaí a bordo de um avião militar C-17 batizado de spirit of Bob Hope. Foram recebidos como heróis por centenas de pessoas que empunhavam bandeiras norte-americanas e cartazes em inglês e dialetos havaianos.
Mas o EP-3 danificado permaneceu sob a custódia dos militares chineses, que analisam informações de contra-espionagem possivelmente contidas nos modernos equipamentos do avião espião.
As causas da colisão, o destino do EP-3 e o futuro dos vôos de vigilância eletrônica dos Estados Unidos no Mar do Sul da China serão objeto de discussão num encontro marcado para quarta-feira entre autoridades dos dois países.
Analistas norte-americanos acreditam que os chineses usarão o avião para tentar extrair concessões dos EUA, mas acabarão devolvendo o EP-3 que vale aproximadamente US$ 100 milhões. O avião é propriedade norte-americana e esperamos tê-lo de volta rapidamente, afirmou o porta-voz do Pentágono, Craig Quigley.


