Esperar solução para pobreza com plantação na Amazônia é dar falsas esperanças, diz Gore


Luciana Coelho e Alexa Salomão - Folhapress
Luciana Coelho e Alexa Salomão - Folhapress

Davos, Suíça - Al Gore, o ex-vice-presidente dos Estados Unidos convertido em ativista ambiental, respondeu ao comentário feito na véspera pelo ministro brasileiro da Economia, Paulo Guedes, de que o maior inimigo do ambiente é a pobreza, durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça.    


"Os brasileiros, desde sempre, falam que não querem que outras pessoas se metam na questão amazônica. E isso deve ser respeitado", ponderou Gore
"Os brasileiros, desde sempre, falam que não querem que outras pessoas se metam na questão amazônica. E isso deve ser respeitado", ponderou Gore | Fabrice Coffrini/AFP
 


"Hoje é amplamente entendido que o solo na Amazônia é pobre. Dizer às pessoas no Brasil que elas vão chegar à Amazônia, cortar tudo e começar a plantar, e que terão colheitas por muitos anos, isso é dar falsa esperança a elas", afirmou. "Há, sim, respostas para a Amazônia, mas não é esta." 




Gore foi indagado sobre a afirmação de Guedes pela mediadora durante um painel a respeito da Floresta Amazônica do qual participa ao lado do cientista brasileiro Carlos Nobre, do presidente da Colômbia, Ivan Duque, e da primatologista britânica Jane Goodall, no palco mais nobre do evento. 


A preservação ambiental é um dos eixos da reunião do Fórum neste ano, e a Amazônia é um foco de preocupação em uma Davos que, em pleno inverno nos Alpes Suíços, amanheceu sem neve nas ruas e temperaturas amenas.     


"Os brasileiros, desde sempre, falam que não querem que outras pessoas se metam na questão amazônica. E isso deve ser respeitado", ponderou Gore antes de criticar a declaração de Guedes. O ministro brasileiro fizera o comentário durante uma sessão na terça-feira (21) cujo tema era manufatura.    




Questionado pela mediadora sobre como os governos poderiam lidar com o medo da população das consequências da mudança climática, Guedes apontou a pobreza como inimiga do ambiente e disse que o Brasil primeiro precisava consertar outros problemas nessa equação. Lembrou, também, que as preocupações de quem desmata hoje poderiam ser diferentes daquelas de quem desmatou no passado – uma aparente alusão ao embate entre países emergentes e ricos sobre quem deve se responsabilizar financeiramente pela redução das emissões de gases-estufa.  

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