O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Kofi Annan, alertou ontem que a escalada da violência entre Israel e palestinos poderá desestabilizar todo o Oriente Médio.
‘‘Faço um apelo para que todos – líderes e cidadãos – parem e pensem no que estão fazendo hoje e que tipo de amanhã eles querem para seus filhos’’, afirmou Annan depois de cancelar uma visita ao Líbano para retornar a Jerusalém.
Annan descreveu o assassinato de dois soldados israelenses em uma delegacia de polícia em Ramallah, na Cisjordânia, como um ato ‘‘deprimente’’. ‘‘Corremos o risco de vermos uma situação perigosa se transformar em uma crise que poderia desestabilizar toda a região’’, afirmou o secretário.
Outros líderes mundiais e regionais conclamaram israelenses e palestinos a recuarem. A secretária de Estado norte-americana Madeleine Albright pediu para que os dois lados anunciem uma trégua.
Depois dos assassinatos dos dois soldados israelenses, o presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, falou com Yasser Arafat por telefone, mas não foi informado o conteúdo da conversa.
Por sua vez, o presidente do Egito, Hosni Mubarak, que desempenha um papel importante nas negociações de paz, discutiu o ocorrido em Ramallah com o rei da Jordânia, Abdullah II, durante uma reunião no resort egípcio de Sharm el-Xeque.
Em comunicado emitido antes dos ataques israelenses, os dois líderes haviam ‘‘rejeitado a linguagem dura que apenas nos levará a uma escalada da violência e acabará com as esperanças de paz e estabilidade na região’’.
No Cairo, um representante palestino na Liga Árabe, Moussa Mohammed Sobeih, disse a jornalistas que os assassinatos dos soldados israelenses foram uma ‘‘reação ao tipo de tortura recebida pelos palestinos nas mãos das forças israelenses’’.
O chefe de segurança da União Européia (UE), Javier Solana, afirmou na Jordânia, depois de se ter encontrado com o rei Abdullah ontem à noite, estar esperançoso que ‘‘as próximas semanas serão de paz e não de violência’’.
Em visita à região, o chanceler britânico, Robin Cook, afirmou ser importante encontrar um caminho não apenas para barrar a violência, mas que leve a um acordo que impulsione o processo de paz.

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