Esperança e incredulidade
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terça-feira, 02 de junho de 2009
Folhapress 
Parentes dos passageiros do voo AF 447 se mostravam ontem entre a esperança e a incredulidade no resgate, enquanto aguardavam informações sobre o Airbus da Air France num hotel do Rio. Diana Raquel, mãe do dentista José Ronnel Amorim, contou que o filho completou 35 anos no dia do acidente: O mais triste é que ele morreu no dia do aniversário, disse, assumindo não ter mais esperanças.
Osvaldo Seba, pai da psicóloga Luciana Seba, era mais esperançoso ao comentar a situação da filha, que viajara em férias com o marido, o empresário Paulo Valle Brito, e com os sogros, Maria de Fátima e Francisco Eudes Mesquita Valle, diretor da transportadora de combustíveis TLW.
Se Deus quiser, esperamos que ela seja localizada. Tenho esperança, muita esperança, vamos aguardar, afirmou.
A mãe de Simone Jácomo dos Santos, 41, servidora do Tribunal de Justiça do Rio, que viajava em férias com outras duas colegas do Tribunal, Márcia Moscon de Faria, 49, e Sônia Maria Esteves de Amorim, 57, mostrou-se apreensiva. Estou muito tensa com a falta de informações, mas espero que tudo acabe da melhor maneira.
Em São Paulo, a namorada do maestro Sílvio Barbato, que estava no voo, a violinista Antonella Pareschi, 33, demonstrou esperança de ele ser encontrado vivo. Tudo poderia ser como no filme Náufrago, disse.
Antonella afirmou que só vai deixar de acreditar num desfecho feliz quando houver uma notícia em contrário. Apesar da esperança, ela chora o dia inteiro -mal consegue olhar fotos nas quais Barbato aparece. Ele sempre dizia, brincando, que não ia simplesmente morrer, mas que ia sumir, contou.
Enquanto familiares de desaparecidos do voo 447 doam amostras de DNA em Paris para possíveis análises de corpos, a família Chem pretende ficar em Porto Alegre (RS) até que surjam novidades nas buscas.
O chefe do Serviço de Cirurgia Plástica da Santa Casa de Misericórdia da capital gaúcha, Roberto Corrêa Chem, 66, viajava para a Europa no avião da Air France em companhia da mulher, a psicóloga Vera Chem, 63, e de uma das filhas, a gerente de roaming internacional da Oi, Letícia Chem, 36.
Não existe nenhuma chance de identificação de corpos por enquanto. Então, não tem necessidade [de ir a Paris], diz o cirurgião plástico Eduardo Chem, 38, um dos três filhos do casal. Vou ficar ao lado da família. Estou recebendo conforto deles e dos amigos, disse.


