Moscou A entrega por parte do Iraque à ONU da declaração sobre seus armamentos de destruição em massa aumenta as possibilidades de uma solução política, estimou ontem o vice-ministro russo de Relações Exteriores, Yuri Fedotov, enquanto Washington continua seus preparativos de guerra contra Bagdá.
Este esforço para cumprir o estabelecido pela resolução 1.441 ''cria uma boa base para uma solução político-diplomática do problema iraquiano'', assinalou o dirigente russo em uma declaração à agência de notícias Interfax.
O vice-ministro estimou que esse documento só pode ser julgado pelos técnicos da Comissão de Controle, Verificação e Inspeção da ONU e da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), adiantou a agência.
Também disse que se alguns países reagirem negativamente a esse documento, esta situação não pode justificar uma ação militar unilateral contra Bagdá, em uma clara referência aos Estados Unidos.
Mais inspetores O ritmo das inspeções de armas no Iraque aumentou ontem com a chegada de mais especialistas em Bagdá. Ao mesmo tempo, a ONU começava a estudar os documentos apresentados pelo Iraque sobre seu arsenal.
O ritmo das visitas às instalações ligadas aos programas nuclear, químico e bacteriológico do Iraque aumentou após a chegada em Bagdá de mais 25 inspetores, que se somaram aos 17 da AIEA e da ONU que estão no local desde o último dia 25 de novembro.
Os especialistas da Comissão de Controle, Verificação e Inspeção da ONU (Unmovic) dirigiram-se ontem, pelo segundo dia consecutivo, a Fallujah, 50 Km a oeste de Bagdá, onde há uma fábrica de inseticidas, comprovou a AFP. Fallujah, que tem três complexos principais, foi um local muito usado no desenvolvimento de armas químicas e biológicas.
Já uma equipe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) vistoriou a antiga central nuclear de Tuwaitha, um complexo próximo a Bagdá que tem mais de 100 prédios e foi o centro do programa de pesquisa nuclear iraquiano.
As forças norte-americanas começaram ontem um importante exercício militar no Golfo, destinado a testar um centro de comando avançado instalado no Qatar, que poderia ser usado no caso de uma invasão ao Iraque. Mil militares norte-americanos e britânicos participam das manobras. ''O exercício Internal Look começou'', anunciou o porta-voz do Comando Central Americano (Centcom).

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