Esperança de acordo pela biodiversidade
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sexta-feira, 29 de outubro de 2010
France Presse 
Nagoia, Japão - As negociações voltadas a um acordo para proteger os ecossistemas ameaçados do planeta prosseguiram ontem em Nagoia, no Japão, com a esperança de afastar a repetição do espectro de Copenhague. Cento e vinte ministros tentavam chegar a um consenso sobre a delicada questão do acesso aos recursos genéticos dos países em desenvolvimento - ricos em uma grande diversidade de espécies, mas que não aproveitam, ou pouco aproveitam, os benefícios econômicos que elas geram. ''Trabalhamos duro e estamos otimistas sobre o resultado'', afirmou a ministra brasileira do Meio Ambiente, Izabella Teixeira.
''Há uma vontade da grande maioria dos países em chegar a uma solução satisfatória. Ninguém quer que as negociações levem anos'', resumiu Claudio Chiarolla, do Instituto do Desenvolvimento Sustentável e das Relações Internacionais (Iddri). O protocolo sobre o Acesso e Partilha dos Benefícios (ABS) tem como objetivo fazer com que esses benefícios retirados pelas empresas (farmacêuticas, cosméticas...) dos genes derivados do ''reservatório de biodiversidade'' dos países do Sul (animais, plantas, microorganismos) sejam compartilhados.
Um dos pontos polêmicos para a implementação deste protocolo é com relação ao tempo: ele deve ser aplicado aos medicamentos ou produtos cosméticos desenvolvidos após sua assinatura, depois que entrou em vigor a Convenção sobre a Diversidade Biológica de 1993 ou remontar ainda mais longe? ''Os africanos pedem um reconhecimento do fato de que, durante décadas, houve uma utilização de seus recursos genéticos, tais como plantas com propriedades medicinais, sem qualquer divisão dos benefícios'', explicou Laurent Somé, da WWF África. ''Mas eles estão abertos a negociações e prontos para firmar um compromisso'', garantiu.


